quarta-feira, 9 de abril de 2014

quarta-feira, 26 de março de 2014

Diário do Che na Bolívia (ultima página)

OCTUBRE 7 (1967)

Se cumplieron los 11 meses de nuestra inauguración guerrillera sin complicaciones, bucólicamente; hasta las 12.30 hora en que una vieja, pastoreando sus chivas entró en el cañón en que habíamos acampado y hubo que apresarla. La mujer no ha dado ninguna noticia fidedigna sobre los soldados, contestando a todo que no sabe, que hace tiempo que no va por allí. Sólo dio información sobre los caminos; de resultados del informe de la vieja se desprende que estamos aproximadamente a una legua de Higueras y otra de Jagüey y unas 2 de Pucará. A las 17.30, Inti, Aniceto y Pablito fueron a casa de la vieja que tiene una hija postrada y una medio enana; se le dieron 50 pesos con el encargo de que no fuera a hablar ni una palabra, pero con pocas esperanzas de que cumpla a pesar de sus promesas. Salimos los 17 con una luna muy pequeña y la marcha fue muy fatigosa y dejando mucho rastro por el cañón donde estábamos, que no tiene casas cerca, pero sí sembradíos de papa regados por acequias del mismo arroyo. A las 2 paramos a descansar, pues ya era inútil seguir avanzando. El Chino se convierte en una verdadera carga cuando hay que caminar de noche. El Ejército dio una rara información sobre la presencia de 250 hombres en Serrano para impedir el paso de los cercados en número de 37 dando la zona de nuestro refugio entre el río Acero y el Oro. La noticia parece diversionista. h-2,000 ms.

Ernesto Che Guevara foi morto a tiros nos fundões da Bolívia no dia 9 de outubro de 1967

"Sou Guevara e fracassei".

BOLIVIA CONFIRMA A MORTE GUEVARA
Publicado na Folha de S.Paulo, quarta-feira, 11 de outubro de 1967
Neste texto foi mantida a grafia original

La Paz, 10 (Folha) — A noticia da morte de Ernesto "Che" Guevara foi hoje confirmada oficialmente pelo exercito boliviano apesar do silencio do governo.
O general Alfredo Ovando Candia, chefe das Forças Armadas da Bolivia, atribuiu a Guevara esta frase, que foram suas ultimas palavras: "Sou o "Che" Guevara e fracassei."
Por outro lado, as impressões digitais de Guevara foram enviadas aos peritos bolivianos, assessorados por especialistas da CIA nos trabalhos de identificação do corpo, segundo declaração do chanceler argentino Nicanor Costa Mendez.
Em Washington reina silencio, declarando o porta-voz do Departamento de Estado que "não se possuem meios para confirmar a informação."
Em Havana a noticia foi divulgada ontem, reconhecendo a presença de "Che" Guevara na Bolivia.


Exercito confirma morte de Guevara

La Paz, 10 (Folha) — O comando de Forças Armadas da Bolivia comunicou hoje oficialmente a morte de Ernesto "Che" Guevara durante o choque com guerrilheiros ocorrido domingo em Higueras.
Entretanto o governo boliviano não confirmou a noticia. Peritos da Agencia Central de Inteligencia dos EUA (CIA), e do exercito boliviano encontravam-se em Valle Grande desde ontem fazendo o levantamento do cadaver dado como sendo de Guevara, para estabelecer sua verdadeira identidade. Apesar da confirmação oficial anunciada ao meio-dia de hoje os circulos do departamento de Estado norte-americano ainda encaram com ceticismo a noticia. O porta-voz oficial do departamento recusou-se a comentá-la oficialmente afirmando que até o momento não dispunham de meios para verificar a veracidade da informação. Ontem a Radio de Havana havia divulgado a noticia ainda sem confirmação oficial, reconhecendo pela primeira vez que o ex-ministro da Industria de Cuba estava realmente na Bolivia. Hoje limita-se a repetir os despachos de La Paz sem fazer referencias a Guevara. O comunicado oficial do exercito não esclarece completamente o misterio sobre as circunstancias da morte do "Che", anunciada primeiramente como tendo ocorrido domingo, ao passo que ontem circulavam informações afirmando que ocorrera durante os interrogatorios a que fora submetido após "sua prisão em Higueras". A cidade de Valle Grande, para onde foi transladado o corpo, foi virtualmente tomada por jornalistas de todo o mundo, muitos dos quais transportados em aviões da Força Aerea boliviana para assistir à identificação do cadaver. 


A identificação

Os peritos internacionais em identificação afirmam que não existem grandes problemas para a identificação do corpo, uma vez que as fichas datiloscopicas em poder da policia da Argentina, a patria de Guevara, contêm as impressões digitais dos dez dedos. O ministro argentino das Relações Exteriores, Nicanor Costa Mendes, afirmou hoje que a "policia" de nosso país enviou oportunamente as fichas datiloscopicas de Ernesto Guevara ao embaixador boliviano na OEA". Para o comandante da região militar de Santa Cruz, coronel Joaquim Zenteno, não existe a minima duvida: O cadaver é o de "Ramon" e "Ramon" era "Che-Guevara". Segundo testemunhas visuais, a semelhança entre os traços do guerrilheiro morto e as ultimas fotos de "Che", que teriam sido descobertas há algum tempo no acampamento de Nancahuzu, é impressionante.


O cadaver

A rigidez cadaverica não modificou a expressão deste rosto, que os jornalistas bolivianos classificam de "cinico".
Um furo na altura do coração assinala o local em que se produziu a morte. As pernas estão literalmente crivadas de balas de metralhadoras de mão. Em torno deste cadaver, diante do qual desfilam desde ontem chefes militares, jornalistas e autoridades locais, persiste o misterio. As autoridades militares de Valle Grande conseguem a duras penas conter o povo que, desde a noite passada, rodeia o hospital, com a esperança de poder entrar e olhar o cadaver transportado em helicoptero.
Alguns circulos bolivianos acreditam que o "Che" tinha sosias nas guerrilhas. O testemunho de alguns guerrilheiros capturados é, a este respeito, singular. Enquanto alguns afirmam que o "Dr. Ramon" era alto e atletico", outros asseguram que "Fernando" estava debilitado e enfermo. "Ramon" e "Fernando", segundo alguns comunicados do Exercito são os nomes de guerra do ex-ministro de Fidel Castro.
Recentes fotografias mostram, alem disso, um guerrilheiro com um cachimbo na boca, cavalgando um burrico na selva boliviana. Trata-se-ia de "Che", que não mais poderia andar a pé.


Barrientos manda enterrar Guevara

La Paz, 10 (Folha) — O presidente René Barrientos ordenou que o corpo de Guevara seja enterrado em Valle Grande e não trazido a La Paz como se informara inicialmente.
Barrientos considera que Guevara deve ter funeral como o de qualquer dos outros guerrilheiros mortos pelas Forças da Bolivia.
As noticias de Valle Grande, onde está o corpo, são ainda fragmentarias dada a dificuldade nas comunicações.
Os jornalistas que viajaram esta manhã em avião militar não haviam regressado ainda ao cair da noite e as condições meteorologicas da cordilheira pareciam indicar que seria dificil a chegada a La Paz.
De qualquer maneira, no aeroporto de El Alto não podem descer aviões após o escurecer, em condições normais.
Fontes autorizadas chegadas à Presidência indicam que a tarefa de identificação do corpo de Guevara foi realizada minuciosamente e seguindo as mais modernas tecnicas cientificas. E admitiam que as autoridades e o Exercito boliviano houvessem contado com a ajuda de tecnicos do Serviço Central de Inteligencia dos EUA (CIA).
Já se noticiava que um grupo do CIA viajara ontem rumo a Valle Grande.
Uma cicatriz na mão esquerda, produzida por um ferimento sofrido em Sierra Maestra, em Cuba, era outro dos pormenores caracteristicos da figura de Guevara.
No diario encontrado em seu poder, Guevara subestimava as possibilidades do Exercito boliviano, mas, posteriormente escrevia que o Exercito melhorara suas taticas e que estava assertando duros golpes aos guerrilheiros. O diario tambem manifestava admiração pelo soldado boliviano, classificando-o de duro para a luta.


Como morreu Guevara

De acordo com a informação fornecida hoje pelo general Ovando Candia, Guevara foi um dos primeiros a cair na ação de domingo. Foi abatido enquanto se lutava frente a frente, a uma distancia de uns 50 metros. Um grupo de soldados o rodeou imediatamente e, sem saber ainda de quem se tratava, arrastou-o para as fileiras dos "rangers" (soldados especialistas em guerrilhas).
Informações de fontes oficiais disseram que os guerrilheiros intensificaram seu ataque para tentar recolher o corpo, mas não tiveram exito. Ovando disse que o corpo ficou estendido numa especie de terra de ninguem por algum tempo, até que chegou um helicoptero de Valle Grande, a bordo do qual viajava o major Nino de Guzman, que conseguiu aproximar-se e ouvir as ultimas palavras de Guevara. A versão de La Paz coincide com a do general Ovando, em que essas ultimas palavras foram:
"Sou Guevara e fracassei".
Provas irrefutaveis, como o diario de "Che" os documentos que levava e as impressões digitais que lhe foram tiradas imediatamente depois de morto, identificaram-no como Ernesto Guevara.

FONTE: http://almanaque.folha.uol.com.br/mundo_11out1967.htm

quarta-feira, 5 de março de 2014

Meus 13 dias com Chê Guevara


Depois, num encontro restrito do Che com antigos amigos e seis jornalistas, fiz uma pergunta que destoava do tom daqueles tempos em que a dialética e filosofia marcavam a revolução. Houve risos de sarcasmo e entreolhares de surpresa. Só mesmo um "macaquito brasileño" indagaria algo tão simples e sem sentido, que raiava a tolice, em meio àqueles argentinos de fama e prestígio, que discorriam com total naturalidade sobre o empirocriticismo ou a identidade dos contrários, para exibir o máximo de sabedoria ao conterrâneo famoso.
          Só ele, o anfitrião e entrevistado, não riu nem sorriu e, em voz alta, repetiu a si mesmo a pergunta:
          - Qué es lo más importante en un combatiente?
        No inverno úmido, a asma reaparecia e, às vezes, lhe travava a respiração, mas Ernesto Che Guevara não titubeou na resposta:
          - Las extremidades! A extremidade inferior, os pés! - exclamou, e a gargalhada de zombaria foi geral.
          Outra vez. só ele não riu. E, sem ouvir o riso galhofeiro dos que se riam unicamente por pensar que ele também iria rir, tomou um tom ainda mais sério e começou a falar da importância das extremidades. Sim, porque os cuidados essenciais são três, e nessa santíssima trindade está o poder de ataque e defesa do combatente, sua condição de céu ou inferno. Primeiro a cabeça, extremidade superior, que conduz tudo. Perder a cabeça é perder-se, seja onde for. Logo, as extremidades laterais, os braços. Ágeis, envolventes e voluptuosos como no amor, ou lentos e inertes como no sono, os braços - e neles as mãos - defendem um ritmo, o ritmo do corpo que controla a carabina, movendo-se como uma bailarina na dança ou uma serpente na árvore.
          Por fim, as extremidades inferiores, os pés, sustentação do corpo e dos braços. Base da base e de tudo que é básico, os pés definem e guiam o passo da coluna guerrilheira. A velocidade de quem avança, quem marca é o pé mais cansado ou menos cansado. A cadência, é ele que dá, até mesmo na correria do recuo, quando nos atacam e retrocedemos. Se o pé aguenta, tudo se aguenta.
          O Che fitou o alto da parede da sala do hotel e disse:
         - Nossa experiência guerrilheira em Cuba mostra algo simples, rudimentar. Pode-se descuidar de todo o corpo, menos dos pés. Um combatente pode ficar semanas ou meses sem um banho, mas deve lavar os pés a cada dia. A roupa pouco importa, mas o calçado é fundamental! - completou Guevara, pernas cruzadas, tocando com a mão a própria bota, do cano à sola, numa irrefreável carícia.

(Meus 13 dias com Chê Guevara, de Flávio Tavares, páginas 70 e 71)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A Rádio Libertadora - Ao Povo Brasileiro - Carlos Marighella

ÁUDIO: http://www.youtube.com/watch?v=UqYmDkFa9yQ

Livro sobre a Rádio Libertadora de Carlos Marighella, lançado em Fortaleza:
http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/253438/

Clara Charf no programa Provocações


http://www.youtube.com/watch?v=e_KG3PC64pI

Clara Charf (viúva de Marighella) no programa Provocações (06/12/2011)

Marighella, de Isa Grinspum Ferraz

Filme na íntegra no youtube:


http://www.youtube.com/watch?v=1cbe8G4G-_g

Todo mundo deveria ver! Tenho o DVD, quem quiser é só pedir. Nos extras do DVD tem o depoimento do Oscar Niemeyer e do Lula sobre o Marighella, o depoimento do Lula é muito bom.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Vlado – 30 anos depois

Em memória aos 38 anos de morte de Vladimir Herzog, documentário relembra trajetória do jornalista assassinado pela ditadura

Tarde de  25 de outubro, o jornalista Vladimir Herzog era encontrado morto nas dependências do DOI-CODI paulistano, aparelho repressivo do regime militar, sob a contraditória acusação de suicídio. Assim como Herzog, tantos outros jovens foram assassinados no país, sob a falsa alegação – já que esta era a melhor maneira que a ditadura encontrara para justificar parte dos crimes ocorridos entre 1964 e 1985.

Para relembrar os 38 anos de um dos mais marcantes e lamentáveis episódios dos “Anos de chumbo”, o documentário “Vlado – 30 anos depois” remonta a trajetória do memorável jornalista – desde sua infância na Iugoslávia, fugindo da perseguição nazista, até a militância, envolvimento político e seu trabalho frente à direção de jornalismo da TV Cultura. O filme evidencia, sobretudo, o perfil fascínora do regime, baseado na série de horrores cometidos dentro dos porões da ditadura, silenciando as vozes que lutavam por democracia e liberdade.


https://www.youtube.com/watch?v=pB8XCSwyOeU

FONTE: catracalivre.com.br

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Chê Guevara - Hasta la victoria siempre

"Agora, esta massa anônima, esta América de cor, sombria e taciturna, que canta em todo o continente com a mesma tristeza e desilusão, agora esta massa é a que começa a entrar definitivamente na sua própria história, começa a escrever com seu sangue, começa a sofrer e a morrer. Porque agora pelos campos e as montanhas da América, pelas encostas das suas serras, pelas suas planícies e suas florestas, entre a solidão ou o tráfego das cidades, nas costas dos grandes oceanos e rios, começa a estremecer este mundo cheio de corações, com os punhos quentes de desejo de morrer pelos outros, de conquistar os seus direitos, negados durante quase 500 anos, por uns e por outros. Porque esta grande humanidade disse "basta!" e começou a avançar. E a sua marcha de gigante, já não pode parar até conquistar a verdadeira independência, por aqueles que morreram mais uma vez inutilmente. Agora, de qualquer forma, aqueles que vão morrer, morrerão como os de Cuba, na Playa Giron, morrerão pela sua única, verdadeira e irrenunciável independência."


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Francisca Julia e Philadelpho E. Munster dançam no Cemitério do Araçá



História da "Musa Impassível", que hoje se encontra na Pinacoteca

A escultura foi feita por Victor Brecheret, também responsável pelo Monumento as Bandeiras, que fica em frente ao Parque Ibirapuera. Antes de ir para a Pinacoteca, a Musa adornava o túmulo da poetisa Francisca Júlia, no Cemitério do Araçá (na Dr. Arnaldo), que faleceu no dia 1 de novembro de 1920.


Francisca Júlia da Silva nasceu em 1871 na antiga Vila de Xiririca, hoje município de Eldorado, interior de São Paulo. Ela se mudou aos 8 anos de idade para São Paulo, e já demonstrava um grande talento com as palavras. Aos 14 anos começou a escrever versos para o jornal O Estado de S.Paulo, Correio Paulistano e para o Diário Popular.

Seu primeiro livro, “Mármores”, foi lançado em 1895, com muitos elogios da crítica - e não custa lembrar que era uma época em que as mulheres tinham pouca ou nenhuma voz. Nesse livro se encontra um poema, Musa Impassível, reproduzido aqui embaixo.


Após lançar em 1899 o "Livro da Infância", para rede de escolas públicas de São Paulo, a poetisa se tornou precursora da literatura infantil no Brasil. Em 1909 ela se casou com o telegrafista da Estrada de Ferro Central do Brasil, Filadelfo Edmundo Munster, que foi diagnosticado com tuberculose em 1916 e veio a falecer em 1920.

Poucas horas após o seu falecimento, Francisca Júlia foi encontrada morta no quarto do marido. Apesar de ter sido cogitada a hipótese de suicídio, a história que seguiu era de que a poetisa havia morrido de amor.

Após a sua morte, um grupo de intelectuais liderado pelo senador e mecenas José Freitas Valle, entrou em contato com o Presidente do Estado de São Paulo, Washington Luís, para encomendar uma escultura que estaria à frente do túmulo da poetisa. Com a autorização em mãos, Freitas Valle contactou o jovem escultor brasileiro que estudava em Paris, Victor Brecheret.

"Brecheret realizou o trabalho de 1921 a 1923 em Paris. O resultado não poderia ser melhor. Uma linda escultura envolvida por sensualidade. Olhos fechados que nos remete a querer esquecer a dor da morte. Seios grandes e fartos para afirmar a importância da mulher na sociedade. Dedos e braços longos e delicados simbolizando a força e a superioridade de uma mulher que abriu segmento na literatura feminina. Nascia a Musa Impassível"

A escultura foi instalada em seu túmulo em 1923 e por ali residiu até começarem ser percebidos os danos causados pela urbanização da cidade, principalmente pela chuva ácida. Em 13 de dezembro de 2006, 83 anos depois de sua instalação, a escultura foi retirada com a ajuda de 15 pessoas e um guindaste.


Saindo do mundo dos mortos para o mundo dos vivos, a escultura chega finalmente à Pinacoteca, e no lugar da escultura original, foi colocada uma réplica em bronze.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

"Le Baiser" (1982) - Joel-Peter Witkin



Joel-Peter Witkin (nascido em 13 de setembro, 1939) é um fotógrafo americano fotógrafo que vive em Albuquerque, Novo México. Sua obra, muitas vezes lida com temas como morte, cadáveres (às vezes desmembrado partes dos mesmos) e várias pessoas estranhas, como anões, transexuais, hermafroditas e pessoas deformadas fisicamente. Os quadros de Witkin muitas vezes lembram episódios religiosos ou pinturas clássicas.

Witkin nasceu de um pai judeu e mãe católica romana. Seu irmão gêmeo, Jerome Witkin, e filho, Kersen Witkin, também são pintores. Os pais de Witkin se divorciaram quando ele era jovem, porque eles foram incapazes de superar suas diferenças religiosas. Entre 1961 e 1964 ele era um fotógrafo de guerra e documentava a guerra do Vietnã. Em 1967 se tornou o fotógrafo oficial da Cidade Paredes. Ele participou da Cooper Union, em Nova York, onde estudou escultura, atingindo um grau de Bacharel em Artes em 1974. Depois a Universidade de Columbia concedeu-lhe uma bolsa de estudos. Ele terminou seus estudos na Universidade do Novo México em Albuquerque, onde se tornou mestre de Belas Artes.

Witkin diz que sua visão e sensibilidade brotam de um episódio que testemunhou quando criança, um acidente de automóvel na frente de sua casa em que uma menina foi decapitada.

"Foi o que aconteceu em um domingo, quando minha mãe estava acompanhando o meu irmão gêmeo e descendo comigo os degraus do cortiço onde morávamos. Nós estávamos indo para a igreja. Enquanto caminhava pelo corredor até a entrada do edifício, ouvimos um estrondo incrível misturado com gritos e gritos de socorro. O acidente envolveu três carros, todos com as famílias deles. De alguma forma, no meio da confusão, eu já não estava segurando a mão da minha mãe. No lugar onde eu estava na calçada, eu podia ver algo rolando de um dos carros que capotou. Aquilo parou na calçada onde eu estava. Era a cabeça de uma menina. Abaixei-me para tocar o rosto, para falar com aquilo - mas antes que eu pudesse tocá-lo alguém me levou"

Ele diz que as dificuldades de sua família também influenciaram a sua obra. Seu artista favorito é Giotto.

As obras de Witkin que usam cadáveres tiveram que ser criadas no México, a fim de contornar as leis restritivas dos Estados Unidos. Por causa da transgressão, natureza do conteúdo de suas imagens, as suas obras têm sido rotulados de exploração e, por vezes, chocaram a opinião pública.

Suas técnicas incluem riscar o negativo, branquear ou tonificar a impressão, usando uma técnica de impressão chamada hands-in-the-chemicals. Esta experimentação começou depois de ver um ambrotype do século 19 de uma mulher e seu ex-amante que tinha sido riscado do quadro.

DOCUMENTÁRIO
Em julho de 2011, começaram as filmagens do documentário de longa metragem Joel-Peter Witkin: um olho objetivo. O filme, dirigido por Thomas Marino, lança um olhar profundo e introspectivo na vida e fotografias de Witkin. Junto com todas as novas entrevistas em profundidade com Joel-Peter Witkin, o filme apresenta entrevistas de galeristas, artistas proeminentes, fotógrafos e estudiosos que compartilham visão sobre o impacto do trabalho de Witkin e influência na cultura moderna. As filmagens ocorreram em Albuquerque, Los Angeles, Nova York e Paris. O filme foi lançado em 06 de julho de 2013 para download digital e streaming/rental. O filme fará parte das coleções permanentes na Bibliothèque Nationale de France, em Paris, e a Biblioteca Nacional de Chile, em Santiago.


sábado, 20 de julho de 2013

Impressões - Eliana Teruel


Prezado Sandro
Não te conheço pessoalmente, mas gostaria de te dizer que o espetáculo que vi hoje, 19/07, no Kasulo - Colonia Penal, foi de uma beleza desoladora...
A obra começa apresentando a "normalidade" do anormal, vai num crescendo que te embrulha o estômago, pois te fisga em um estranhamento que corrói por dentro; o torturador é um ser que come, bebe e vive um cotidiano que é o nosso, com o qual nos identificamos totalmente, enquanto o ser submisso deixa de ser, se coisifica, não só se acostuma à dor, mas faz dela sua relação com a vida, realmente tudo muito angustiante.
O elenco competentíssimo, todos eles, com destaque da atriz/bailarina que sofre a tortura, cujo fôlego e treinamento nos faz ficar sem ar e vivenciar um paradoxo: queremos ao mesmo tempo que tudo termine rápido e ao mesmo tempo que não termine nunca.
Realmente um trabalho orgânico de grande importância nestes dias em que a sociedade respalda a violência cometida com quem não se parece à ela. Um corpo que se entrega para ser devorado, devoradores à procura de novos corpos-coisa.
Tudo muito impactante, tudo muito real.
Parabéns!

Eliana Teruel, atriz

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Impressões - Vanessa Macedo

Um relato sobre Colônia Penal, da Cia Borelli

Cada vez que vou ao teatro tenho o desejo de ser capturada. Não sei exatamente para que lugar, mas conheço a sua potência em nos invadir. Isso tem sido coisa rara, muito rara. Por isso tive vontade de falar e agradecer à Cia Borelli pelo trabalho Colônia Penal. 

São lágrimas secas que chegam sem avisar e não fazem alarde. Ao que tudo indica, contradizendo algumas fortes tendências da arte contemporânea, talvez possamos dizer que essa obra se constrói numa narrativa linear, ou até mesmo literal. Isso porque tem um foco claro, dispensa release, conversa pós-espetáculo, ou o famoso “não entendi nada”, daqueles que não se sentem contemplados ao assistir dança contemporânea. Talvez não nos dê aquela sensação de múltiplas possibilidades de interpretação, como estamos nos acostumando a ter (até quando não reconhecemos possibilidade alguma). O que nos permite são várias portas de acesso a questionamentos sobre nós, seres humanos. Não só o sentimento de indignação, mas o sentimento de dor por nos reconhecermos ou nos estranharmos como parte dessa sociedade em que vivemos. Obrigada Sandro e Cia pela invasão no meu íntimo, pela ruptura sem anestesia.... tão necessária para nos sentirmos vivos.

Vanessa Macedo
07 07 2013

sábado, 6 de julho de 2013

sábado, 8 de junho de 2013

Crimes da ditadura: casal Abi-Eçab

Brasil. Crimes da ditadura de 64: Catarina e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.
por R7-Record-Osmar Gomes da Silva
Viernes, 17 de Maio de 2013

O ex-militar Valdemar Martins de Oliveira prestou depoimento na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” para o esclarecimento do assassinato do casal Catarina Abi-Eçab e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.

A audiência pública aconteceu na quinta-feira (16/5) no auditório Tiradentes. O ex-agente é testemunha do assassinato de João Antonio e Catarina, casal de estudantes de filosofia da USP e militantes de esquerda da ALN, ocorrida em maio de 1968.

Valdemar Martins de Oliveira esclareceu fatos sobre João Antonio e Catarina até então falsos como atestado de óbito e morte. Segundo a versão divulgada à época, eles morreram no choque do automóvel que conduziam com explosivos na traseira de um caminhão, na altura do quilômetro 69, da Via Dutra, em Vassouras (RJ).


A EXECUÇÃO

Oliveira revelou como foi execução e apontou o coronel Fred Perdigão Pereira como o autor dos disparos.“Vi ele (Perdigão) atirar. Os dois estavam desacordados, já não reagiam. Ele disse que os dois não serviam mais para nada. Abaixou-se e deu um tiro na cabeça de cada um”, contou o ex-militar cujo depoimento tem o peso de testemunha ocular.

Integrante da equipe do coronel Perdigão, Oliveira havia participado da prisão do casal, numa residência em Vila Isabel, no Rio, e depois acompanhou a equipe de agentes até o local do assassinato, um sítio em São João do Meriti, provável centro de torturas e execução que, segundo ele, pertencia a um coronel do Exército. Os assassinos: Perdigão, um policial civil chamado Miro e o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que 13 anos depois morreria no frustrado atentado a bomba no Riocentro. Morto em 1997, Perdigão teria feito os disparos à queima roupa, com um Colt 45, depois de várias sessões de tortura.

O casal Abi-Eçab era procurado como integrantes do comando da ALN e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que um mês antes, em São Paulo haviam justiçado  o sinistro  Capitão Charles Chandler, agente da CIA e encarregado do treinamento aos verdugos da repressão. informações sobre o funcionamento dos aparatos de repressão política. 

Nome: Catarina Helena Abi-Eçab 
(Assassinada em 08 de novembro de 1968)
Data de nascimento: 29/01/1947
Local de nascimento: São Paulo - SP - Brasil
Organização Política: Ação Libertadora Nacional (ALN). 

Nome: João Antônio Santos Abi-Eçab 
(Assassinado em 08 de novembro de 1968)
Data de nascimento: 04 /06/ 1943
Local de nascimento: São Paulo - SP - Brasil
Organização Política: Ação Libertadora Nacional (ALN)


Todas as atividades realizadas na Assembleia Legislativa de São Paulo têm transmissão ao vivo pela internet. Acesse o link www.al.sp.gov.br/a-assembleia/tv-web* e escolha no box o Auditório onde ela está sendo realizada.*Atenção - é necessário utilizar o navegador Internet Explorer

COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO “RUBENS PAIVA”
55 11 3886-6227 / 3886-6228 – e-mail: comissaodaverdadesp@al.sp.gov.br
twitter.com/CEVerdad

Valdemar Martins de Oliveira, soldado paraquedista-1º lugar da turma do Batalhão de Paraquedistas do Exercito Brasileiro decide se afastar. Não aceita continuar participar do serviço sujo da tortura e assassinatos nos aparelhos de repressão da ditadura militar. Prevendo ser eliminado por saber nomes e “modus operandi” dos facínoras, desertou e fugiu.

Por muitos anos, Valdemar afirma  que tem procurado no Exercito Brasileiro por Reparação e Passar para a Reserva como soldado, o que até hoje tem sido negado. Neste vídeo reportagem ele revela da mesma forma que no depoimento na COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO “RUBENS PAIVA” fatos sobre a morte dos companheiros Catarina Abi-Eçab e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.


LINK DO VÍDEO: http://r7.com/XHE3


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Eu Em Ti - Jung



































O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambos estão transformados.
Carl Jung

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Impressões - Eu Em Ti em Bauru, SP

Pra poder continuar contigo
(por Laís Semis)



O cenário é um palco cercado por velas. Uma a uma elas são acesas pelo casal que surge nessa apresentação inspirada na obra de Ismael Nery, Eu em Ti. Quem interpreta é a Cia. Borelli de Dança, que carrega consigo 14 anos de experiência. É estabelecendo contato lentamente e em silêncio que se encontra o casal de bailarinos até entrar o instrumental dramático e a dança começar a ganhar forma.

Os corpos, sincronizados, ligados pela alma se completam e buscam se unir sempre  que se separam. Eles são leves, gravitando pelo poder do sentimento, tentando se reerguer e se encontrar, se dando suporte para executar seus corpos, dramas, dores, vontades e danças num balé de uma só alma. E que mesmo seguindo seus caminhos separados em quase uma hora de apresentação, acabam se encontrando e não resistindo a retomar o contato.

Se encaram pela primeira vez de verdade e se beijam. Um ponto de giro na música, que, mais suave, os leva de volta ao início. Os faz corpos-gangorra, faz a simetria dos ângulos corporais e se deixar guiar pela confiança no outro, tirar os pés do chão. E, num momento final, eles se afastam. Caminham lado a lado na inevitável separação do tempo e do espaço.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Documentário | Brasil: Relatório sobre a tortura


Documentário sobre a tortura no Brasil. Um relatório produzido para o mercado internacional, com declarações dos homens e mulheres que foram torturados no Brasil.

Você Também Pode Dar um Presunto Legal


O autor
Sérgio Muniz

Entre 1971 e 1973, ele reuniu materiais para um libelo que denunciasse o Esquadrão da Morte como um ensaio para os horrores da ditadura militar.

No roteiro escrito com Francisco Ramalho Jr., cabia um pouco de tudo: notícias de jornal, fotos de execução, transcrição de depoimentos sobre tortura, cenas de peças teatrais descontextualizadas, canções mensageiras, atores nos papéis do delegado Sérgio Fleury (chefe da famigerada Scuderie LeCocq) e do procurador Hélio Bicudo, afastado da investigação. Cenas da condecoração de Fleury pela Marinha, não divulgadas na época, foram obtidas clandestinamente de uma TV pelos bons ofícios de Vladimir Herzog. Enfim, uma peça de resistência política com ingredientes documentais e típico sabor da época. No título, uma piscadela irônica para o espectador: Você Também Pode Dar um Presunto Legal.

Amigos do diretor o aconselharam a não fazer exibições públicas na época, temerosos de que o título fosse sumariamente aplicado a ele. Mais de 30 anos depois, a partir de uma cópia VHS, Muniz aplicou efeitos digitais de legibilidade e recolocou, discretamente, o filme em circulação.