O “Sala de Ensaio” objetiva discutir, refletir e dialogar as experiências prático-teóricas dos membros que compõem a Cia Carne Agonizante em seu processo criativo, através das temáticas, imagens e questões aqui são lançadas e registradas.
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sábado, 15 de fevereiro de 2014
Clara Charf no programa Provocações
http://www.youtube.com/watch?v=e_KG3PC64pI
Clara Charf (viúva de Marighella) no programa Provocações (06/12/2011)
Marighella, de Isa Grinspum Ferraz
Filme na íntegra no youtube:
Todo mundo deveria ver! Tenho o DVD, quem quiser é só pedir. Nos extras do DVD tem o depoimento do Oscar Niemeyer e do Lula sobre o Marighella, o depoimento do Lula é muito bom.
http://www.youtube.com/watch?v=1cbe8G4G-_g
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Vlado – 30 anos depois
Em memória aos 38 anos de morte de Vladimir Herzog, documentário relembra trajetória do jornalista assassinado pela ditadura
Tarde de 25 de outubro, o jornalista Vladimir Herzog era encontrado morto nas dependências do DOI-CODI paulistano, aparelho repressivo do regime militar, sob a contraditória acusação de suicídio. Assim como Herzog, tantos outros jovens foram assassinados no país, sob a falsa alegação – já que esta era a melhor maneira que a ditadura encontrara para justificar parte dos crimes ocorridos entre 1964 e 1985.
Para relembrar os 38 anos de um dos mais marcantes e lamentáveis episódios dos “Anos de chumbo”, o documentário “Vlado – 30 anos depois” remonta a trajetória do memorável jornalista – desde sua infância na Iugoslávia, fugindo da perseguição nazista, até a militância, envolvimento político e seu trabalho frente à direção de jornalismo da TV Cultura. O filme evidencia, sobretudo, o perfil fascínora do regime, baseado na série de horrores cometidos dentro dos porões da ditadura, silenciando as vozes que lutavam por democracia e liberdade.
https://www.youtube.com/watch?v=pB8XCSwyOeU
FONTE: catracalivre.com.br
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Chê Guevara - Hasta la victoria siempre
"Agora, esta massa anônima, esta América de cor, sombria e taciturna, que canta em todo o continente com a mesma tristeza e desilusão, agora esta massa é a que começa a entrar definitivamente na sua própria história, começa a escrever com seu sangue, começa a sofrer e a morrer. Porque agora pelos campos e as montanhas da América, pelas encostas das suas serras, pelas suas planícies e suas florestas, entre a solidão ou o tráfego das cidades, nas costas dos grandes oceanos e rios, começa a estremecer este mundo cheio de corações, com os punhos quentes de desejo de morrer pelos outros, de conquistar os seus direitos, negados durante quase 500 anos, por uns e por outros. Porque esta grande humanidade disse "basta!" e começou a avançar. E a sua marcha de gigante, já não pode parar até conquistar a verdadeira independência, por aqueles que morreram mais uma vez inutilmente. Agora, de qualquer forma, aqueles que vão morrer, morrerão como os de Cuba, na Playa Giron, morrerão pela sua única, verdadeira e irrenunciável independência."
terça-feira, 3 de setembro de 2013
"Le Baiser" (1982) - Joel-Peter Witkin
Joel-Peter Witkin (nascido em 13 de setembro, 1939) é um fotógrafo americano fotógrafo que vive em Albuquerque, Novo México. Sua obra, muitas vezes lida com temas como morte, cadáveres (às vezes desmembrado partes dos mesmos) e várias pessoas estranhas, como anões, transexuais, hermafroditas e pessoas deformadas fisicamente. Os quadros de Witkin muitas vezes lembram episódios religiosos ou pinturas clássicas.
Witkin nasceu de um pai judeu e mãe católica romana. Seu irmão gêmeo, Jerome Witkin, e filho, Kersen Witkin, também são pintores. Os pais de Witkin se divorciaram quando ele era jovem, porque eles foram incapazes de superar suas diferenças religiosas. Entre 1961 e 1964 ele era um fotógrafo de guerra e documentava a guerra do Vietnã. Em 1967 se tornou o fotógrafo oficial da Cidade Paredes. Ele participou da Cooper Union, em Nova York, onde estudou escultura, atingindo um grau de Bacharel em Artes em 1974. Depois a Universidade de Columbia concedeu-lhe uma bolsa de estudos. Ele terminou seus estudos na Universidade do Novo México em Albuquerque, onde se tornou mestre de Belas Artes.
Witkin diz que sua visão e sensibilidade brotam de um episódio que testemunhou quando criança, um acidente de automóvel na frente de sua casa em que uma menina foi decapitada.
"Foi o que aconteceu em um domingo, quando minha mãe estava acompanhando o meu irmão gêmeo e descendo comigo os degraus do cortiço onde morávamos. Nós estávamos indo para a igreja. Enquanto caminhava pelo corredor até a entrada do edifício, ouvimos um estrondo incrível misturado com gritos e gritos de socorro. O acidente envolveu três carros, todos com as famílias deles. De alguma forma, no meio da confusão, eu já não estava segurando a mão da minha mãe. No lugar onde eu estava na calçada, eu podia ver algo rolando de um dos carros que capotou. Aquilo parou na calçada onde eu estava. Era a cabeça de uma menina. Abaixei-me para tocar o rosto, para falar com aquilo - mas antes que eu pudesse tocá-lo alguém me levou"
Ele diz que as dificuldades de sua família também influenciaram a sua obra. Seu artista favorito é Giotto.
As obras de Witkin que usam cadáveres tiveram que ser criadas no México, a fim de contornar as leis restritivas dos Estados Unidos. Por causa da transgressão, natureza do conteúdo de suas imagens, as suas obras têm sido rotulados de exploração e, por vezes, chocaram a opinião pública.
Suas técnicas incluem riscar o negativo, branquear ou tonificar a impressão, usando uma técnica de impressão chamada hands-in-the-chemicals. Esta experimentação começou depois de ver um ambrotype do século 19 de uma mulher e seu ex-amante que tinha sido riscado do quadro.
DOCUMENTÁRIO
Em julho de 2011, começaram as filmagens do documentário de longa metragem Joel-Peter Witkin: um olho objetivo. O filme, dirigido por Thomas Marino, lança um olhar profundo e introspectivo na vida e fotografias de Witkin. Junto com todas as novas entrevistas em profundidade com Joel-Peter Witkin, o filme apresenta entrevistas de galeristas, artistas proeminentes, fotógrafos e estudiosos que compartilham visão sobre o impacto do trabalho de Witkin e influência na cultura moderna. As filmagens ocorreram em Albuquerque, Los Angeles, Nova York e Paris. O filme foi lançado em 06 de julho de 2013 para download digital e streaming/rental. O filme fará parte das coleções permanentes na Bibliothèque Nationale de France, em Paris, e a Biblioteca Nacional de Chile, em Santiago.
sábado, 6 de julho de 2013
Erasmo Dias
http://youtu.be/lUfSE_iN84o
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sábado, 8 de junho de 2013
Crimes da ditadura: casal Abi-Eçab
Brasil. Crimes da ditadura de 64: Catarina e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.
por R7-Record-Osmar Gomes da Silva
Viernes, 17 de Maio de 2013
O ex-militar Valdemar Martins de Oliveira prestou depoimento na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” para o esclarecimento do assassinato do casal Catarina Abi-Eçab e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.
A audiência pública aconteceu na quinta-feira (16/5) no auditório Tiradentes. O ex-agente é testemunha do assassinato de João Antonio e Catarina, casal de estudantes de filosofia da USP e militantes de esquerda da ALN, ocorrida em maio de 1968.
Valdemar Martins de Oliveira esclareceu fatos sobre João Antonio e Catarina até então falsos como atestado de óbito e morte. Segundo a versão divulgada à época, eles morreram no choque do automóvel que conduziam com explosivos na traseira de um caminhão, na altura do quilômetro 69, da Via Dutra, em Vassouras (RJ).
A EXECUÇÃO
Oliveira revelou como foi execução e apontou o coronel Fred Perdigão Pereira como o autor dos disparos.“Vi ele (Perdigão) atirar. Os dois estavam desacordados, já não reagiam. Ele disse que os dois não serviam mais para nada. Abaixou-se e deu um tiro na cabeça de cada um”, contou o ex-militar cujo depoimento tem o peso de testemunha ocular.
Integrante da equipe do coronel Perdigão, Oliveira havia participado da prisão do casal, numa residência em Vila Isabel, no Rio, e depois acompanhou a equipe de agentes até o local do assassinato, um sítio em São João do Meriti, provável centro de torturas e execução que, segundo ele, pertencia a um coronel do Exército. Os assassinos: Perdigão, um policial civil chamado Miro e o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que 13 anos depois morreria no frustrado atentado a bomba no Riocentro. Morto em 1997, Perdigão teria feito os disparos à queima roupa, com um Colt 45, depois de várias sessões de tortura.
O casal Abi-Eçab era procurado como integrantes do comando da ALN e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que um mês antes, em São Paulo haviam justiçado o sinistro Capitão Charles Chandler, agente da CIA e encarregado do treinamento aos verdugos da repressão. informações sobre o funcionamento dos aparatos de repressão política.
Nome: Catarina Helena Abi-Eçab
(Assassinada em 08 de novembro de 1968)
Data de nascimento: 29/01/1947
Local de nascimento: São Paulo - SP - Brasil
Organização Política: Ação Libertadora Nacional (ALN).
Nome: João Antônio Santos Abi-Eçab
(Assassinado em 08 de novembro de 1968)
Data de nascimento: 04 /06/ 1943
Local de nascimento: São Paulo - SP - Brasil
Organização Política: Ação Libertadora Nacional (ALN)
Todas as atividades realizadas na Assembleia Legislativa de São Paulo têm transmissão ao vivo pela internet. Acesse o link www.al.sp.gov.br/a-assembleia/tv-web* e escolha no box o Auditório onde ela está sendo realizada.*Atenção - é necessário utilizar o navegador Internet Explorer
COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO “RUBENS PAIVA”
55 11 3886-6227 / 3886-6228 – e-mail: comissaodaverdadesp@al.sp.gov.br
twitter.com/CEVerdad
Valdemar Martins de Oliveira, soldado paraquedista-1º lugar da turma do Batalhão de Paraquedistas do Exercito Brasileiro decide se afastar. Não aceita continuar participar do serviço sujo da tortura e assassinatos nos aparelhos de repressão da ditadura militar. Prevendo ser eliminado por saber nomes e “modus operandi” dos facínoras, desertou e fugiu.
Por muitos anos, Valdemar afirma que tem procurado no Exercito Brasileiro por Reparação e Passar para a Reserva como soldado, o que até hoje tem sido negado. Neste vídeo reportagem ele revela da mesma forma que no depoimento na COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO “RUBENS PAIVA” fatos sobre a morte dos companheiros Catarina Abi-Eçab e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.
LINK DO VÍDEO: http://r7.com/XHE3
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
Documentário | Brasil: Relatório sobre a tortura
Você Também Pode Dar um Presunto Legal
O autor
Sérgio Muniz
Entre 1971 e 1973, ele reuniu materiais para um libelo que denunciasse o Esquadrão da Morte como um ensaio para os horrores da ditadura militar.
No roteiro escrito com Francisco Ramalho Jr., cabia um pouco de tudo: notícias de jornal, fotos de execução, transcrição de depoimentos sobre tortura, cenas de peças teatrais descontextualizadas, canções mensageiras, atores nos papéis do delegado Sérgio Fleury (chefe da famigerada Scuderie LeCocq) e do procurador Hélio Bicudo, afastado da investigação. Cenas da condecoração de Fleury pela Marinha, não divulgadas na época, foram obtidas clandestinamente de uma TV pelos bons ofícios de Vladimir Herzog. Enfim, uma peça de resistência política com ingredientes documentais e típico sabor da época. No título, uma piscadela irônica para o espectador: Você Também Pode Dar um Presunto Legal.
Amigos do diretor o aconselharam a não fazer exibições públicas na época, temerosos de que o título fosse sumariamente aplicado a ele. Mais de 30 anos depois, a partir de uma cópia VHS, Muniz aplicou efeitos digitais de legibilidade e recolocou, discretamente, o filme em circulação.
domingo, 26 de maio de 2013
LEVANTE SUA VOZ
Vídeo produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung. A obra faz um retrato da concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Amit Goswami
Goswami fala sobre o novo conceito de Economia Espiritual e como ela pode transformar a sociedade ao suprir as necessidades não materiais que o capitalismo concebido por Adam Smith excluiu da equação.
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Zeitgeist
Zeitgeist (pronúncia: tzait.gaisst) é um termo alemão cuja tradução significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.
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VÍDEOS
domingo, 17 de março de 2013
Butoh
Kazuo Ono, The Dead Sea
http://www.youtube.com/watch?v=ZUjhQLB0hXY
SE MEN TE - parte 2 "Devir-feto"
http://www.youtube.com/watch?v=2tlp12vv0Jg
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
"PENSO, LOGO...", "EXISTO ONDE NÃO PENSO".
"Dubito, ergo cogito, ergo sum"
"Eu duvido, logo penso, logo existo"
O Mundo Percebido, por Clóvis de Barros Filho (vídeo)
O Mundo Percebido from Galeria Experiência on Vimeo.
"Eu duvido, logo penso, logo existo"
A frase é uma conclusão do filósofo e matemático francês Descartes alcançada após duvidar da sua própria existência, mas comprovada ao ver que pode pensar e, desta forma, conquanto sujeito, ou seja, conquanto ser pensante, existe indubitavelmente.
Descartes pretendia fundamentar o conhecimento humano em bases sólidas e seguras (em comparação com as fundamentações do conhecimento medievais, cujas bases não eram claras e distintas). Para tanto, questionou e colocou em dúvida todo o conhecimento aceite como correto e verdadeiro (utilizando-se assim do ceticismo como método, sem, no entanto, assumir uma posição cética). Ao pôr em dúvida todo o conhecimento que, então, julgava ter, concluiu que apenas poderia ter certeza que duvidava. Se duvidava, necessariamente então também pensava, e se pensava necessariamente existia (sinteticamente: se duvido, penso; se penso, logo existo). Por meio de um complexo raciocínio baseado em premissas e conclusões logicamente necessárias, Descartes então concluiu que podia ter certeza de que existia porque pensava.
A frase "Cogito, ergo sum" aparece na tradução latina do trabalho escrito por Descartes, Discours de la Méthode (1637), escrito originariamente em francês e traduzido para latim anos mais tarde. O trecho original era "Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j'existe" e, em outro momento, "je pense, donc je suis". Apesar de Descartes ter usado o vocábulo "logo" (donc), e portanto um raciocínio semelhante ao silogismo aristotélico, a ideia de Descartes era anunciar a verdade primeira "eu existo" de onde surge todo o desejo pelo conhecimento.
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cogito_ergo_sum
“Penso onde não existo.”
Para o psicanalista francês Jacques Lacan, o sujeito da psicanálise é aquele descentrado, em que a consciência não forma seu centro. Portanto, Lacan acredita que a consciência é uma ilusão e toda certeza é, na verdade, enganosa. Isso vai de encontro com a teoria freudiana. Freud alterou a famosa frase de Descartes. O “penso, logo existo” foi trocado pelo “penso onde não existo”. Essa idéia de Lacan e Freud também casa com o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que em seu livro Além do Bem e do Mal (1886) afirma que a consciência engana o filósofo e que uma filosofia de verdade deve sempre duvidar do próprio pensamento.
A consciência como mera ilusão de Lacan vai contra a psicologia do ego norte-americana e o racionalismo. O homem, antes centro de seu próprio universo, não controla sequer seus próprios pensamentos. A pergunta que vale para Lacan é sempre: “Sou eu ou é o outro?”. Na verdade, a imagem do outro introjetada (principalmente pai, mãe e antepassados) é a que constitui de fato o sujeito. Portanto, é apenas no inconsciente que temos a referência de nós mesmos, onde se encontra a verdadeira realidade psíquica de cada um de nós. O pensamento, assim, passa a ser ilusório e o sujeito vai muito além do ego, que em grande parte também é inconsciente. Em uma instância mais radical, é como se fossemos todos bonecos de ventríloquo cumprindo papeis sem saber muito bem os motivos. A mão que nos controla é o inconsciente.
Por isso, para Lacan, o saber da psicanálise não é absoluto, e sim singular e incompleto. O inconsciente é um saber onde não existe um eu, e é estruturado como uma linguagem: o discurso do outro. Essa estrutura de linguagem incide sobre o sujeito à sua completa revelia. Para Lacan, a palavra é a morte da coisa. Ou seja, uma máscara que não nos permite enxergar o que de fato somos – isso é compatível com a filosofia budista e os objetivos da meditação. O que somos, como diria Chico Buarque na letra de “O Que Será”, é aquilo que “não tem nome nem nunca terá”. O psicanalista, assim, deve deixar de lado seu suposto saber e ter a humildade de perceber que ele e o paciente , em última instância, sofrem do mesmo sintoma: uma busca por uma completude imaginária que nunca poderão alcançar. Hoje, a caracterstíca mais importante de um psicanalista é a humildade diante do indizível da existência. E uma profissão com essas características é tudo que sempre busquei ao longo da vida.
Precisei primeiro trabalhar com as palavras para enxergar o quanto elas nos enganam. O silêncio é mesmo uma benção.
FONTE: http://setedoses.wordpress.com/2010/11/28/lacan-a-subejtividade-do-sujeito-e-o-papel-da-minha-nova-profissao/
André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses e termina a primeira etapa de sua formação em psicanálise este ano. As outras etapas ainda demorarão muito. Mais ou menos a vida inteira
FONTE: http://setedoses.wordpress.com/2010/11/28/lacan-a-subejtividade-do-sujeito-e-o-papel-da-minha-nova-profissao/
André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses e termina a primeira etapa de sua formação em psicanálise este ano. As outras etapas ainda demorarão muito. Mais ou menos a vida inteira
O Mundo Percebido, por Clóvis de Barros Filho (vídeo)
O Mundo Percebido from Galeria Experiência on Vimeo.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Muito Além do Cidadão Kane
O Filme proibido sobre a Rede Globo produzido pela BBC
UM POUCO DA HISTÓRIA SECRETA
Um super investimento do governo militar em telecomunicação da suporte para que nasça uma das maiores rede de tv do mundo. ( Pão e circo ao povo) futebol, novela, carnaval transmitidos ao Brasil e a saúde e educação abandonados mas o povo sob total controle da REDE GLOBO ... que em troca transmitia apenas o que era conveniente ao's' governo's'...AI5, Seqüestro do embaixador americano, bombardeio do teatro, assassinato de jornalista isso tudo era proibido de ser passado em meios de comunicação, porém a REDE GLOBO foi muito além do que era solicitado. Tancredo Neves ganha as eleições e logo anuncia Antonio Carlos Magalhães como ministro das telecomunicações porém, morre antes de assumir a presidência. Sarnei assume e mantém Antonio Carlos Magalhães como ministro das telecomunicações..... Antonio Carlos Magalhães cancela contrato com a NEC do Brasil que passa a valer muito pouco e logo é comprada pela REDE GLOBO após a compra Antonio Carlo Magalhães volta os contratos com a NEC do Brasil com Governo Federal com isso a REDE GLOBO ganha 350 Milhões rapidamente. Em troca Antonio Carlos Magalhães ganha algumas concessões da Rede Globo na Bahia , o Presidente Sarnei dá 90 concessões de TV em seu mandato Só o Presidente Sarnei ganha 2 afiliadas da Rede Globo. Desde então nenhuma concessão foi dada.
Algumas Declarações contidas no Documentário:
Chico Buarque (A tv globo proibia pessoas de existir, ela tornava pessoas em não pessoas... ela ia muito além do que era solicitada)
Washington Olivetto ( O Brasil as vezes deixa de falar português e passa a falar TV Globes.)
A Palavra do Presidente ( Que os ricos sejam mais ricos para que os pobre por sua vez sejam menos pobres.)
A Palavra do Presidente ( Quando vejo o mundo ele está terrível, mas quando vejo o brasil na TEVÊ GLOBO tudo está uma maravilha)
Luiz Inacio Lula da Silva (a globo só mente ... ela só informa sobre interesses patronais...)
Armando Nogueira, fala diretamente ao dono da empresa Globo (Dr Roberto eu não vi esse compacto, se tivesse visto eu teria impedido que ele fosse ao ar, ..... a REDE GLOBO foi infeliz e fez uma edição burra... - Se referindo ao debate para presidente Collor x Lula) imediatamente após a reclamação Armando Nogueira, chefe de jornalismo da Rede Globo há 22 anos, foi aposentado e substituído pelo editor do debate.
FONTE: http://www.documentarios.org/video/detalhar/49/muito_alem_do_cidadao_kane/
Maiores informações no Wikipedia.org (clique aqui)
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Cidadão Boilesen
SÃO PAULO - Há 18 anos - em 1991 -, Chaim Litewski ingressou na ONU, o que o faz hoje viver em Nova York. Em novembro de 2009 ele voltou ao Brasil - e a São Paulo - para participar de um debate sobre seu documentário Cidadão Boilesen, que estreou nos cinemas dia 27 de novembro do mesmo ano. Cidadão Boilesen foi premiado no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, esteve no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Sempre aplaudido pelo público e pela crítica, levanta o véu sobre a Operação Bandeirantes.
http://youtu.be/9TrocKiappo
A Oban, como era chamada, foi um centro de informações, investigações e de torturas montado pelo Exército brasileiro no fim dos anos 1960 para combater organizações de esquerda que confrontavam o regime ditatorial que vigorava desde 1964 no País. O filme deixa claro que era financiada por empresários e banqueiros. O caso de Henning Boilesen, o cidadão Boilesen, é exemplar. Dinamarquês naturalizado brasileiro, ele virou empresário no País. Anticomunista ferrenho, ligou-se a grupos militares e paramilitares. Outros empresários e banqueiros - nomeados no filme - também fizeram isso, mas Boilesen se destacava por uma particularidade fartamente debatida no filme. Sádico, ele tinha um prazer especial em seguir as sessões de tortura, chegando a fornecer carros da empresa Ultragaz, do grupo Ulbra, que presidia, para operações de repressão. Em 1971, foi vítima de uma emboscada e morto por guerrilheiros.
Um dos entrevistados, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, faz uma bela análise sociológica do episódio. Guerrilheiros fazem acusações a Boilesen, mas seus familiares - o filho, em particular - contestam que fosse o monstro sugerido em Cidadão Boilesen. Entretanto, os indícios são muitos e confirmados por outros notórios personagens ligados à Oban, incluindo o célebre Coronel Erasmo Dias. No debate que antecedeu a estreia do filme, Litewski lembrou que foi em 1968 que ouviu pela primeira vez, na televisão, o nome de Boilesen ligado a grupos militares. Após a morte do empresário, ele nunca deixou de pensar no assunto, mas só começou a encarar a possibilidade de realização de um filme a partir do depoimento que colheu do ex-guerrilheiro Carlos Eugênio da Paz. "Só aí foi que eu realmente me conscientizei de que tinha material para uma obra consistente."
Mesmo assim, foram mais de 15 anos de pesquisa, que se concluíram em sua estreia. Litewski elaborou uma lista de 200 possíveis entrevistados. Um terço lhe bateu o telefone na cara, tão logo ele anunciava sua intenção. Outro terço admitia dar depoimento, sem que fosse gravado ou filmado, certamente temendo represálias. O terço final, finalmente, deu a cara e a voz às denúncias formuladas no filme. Elas de alguma forma corrigem a história oficial. Mostram que a famigerada ditadura foi, na verdade, uma aliança civil-militar, incentivada e sustentada por setores de peso na sociedade, e não apenas empresários da Fiesp ou banqueiros da Febraban. Nem a imprensa é poupada. Litewski, que se autodefine como ‘rato de pesquisa’, só cita empresários e organizações que tenham sido mencionados por no mínimo três fontes diferentes.
Formado em comunicação, propaganda e cinema, Chaim Litewski especializou-se em filmar, documentar e discutir conflitos. Ele admite que tem uma relação de fascinação e ódio pela violência. Este documentário, feito ao longo de tanto tempo, o levou até a Dinamarca, em busca das origens de Henning Boilesen. Lá ele ouviu um depoimento muito interessante, que está no filme - o empresário, que teve uma origem humilde, tinha um lado sombrio muito forte na sua personalidade. Criança, teve um prazer tão grande em observar a punição de colegas da escola que o caso foi suficientemente inusitado para merecer a observação de um dos professores, acrescentada à ficha escolar. Na Dinamarca, a própria cultura local talvez lhe impusesse manter essas tendências perversas reprimidas. No Brasil da ditadura civil/militar, em contato com figuras como o sinistro delegado Sérgio Paranhos Fleury, essas tendências não apenas afloraram como foram liberadas.
Litewski conta que, durante muito tempo, somente conseguiu tocar o projeto de Cidadão Boilesen nas horas vagas. Ele trabalhava regularmente, nas suas funções habituais, e às 17 horas, 18 horas ficava liberado para se debruçar sobre os penosos acontecimentos que o documentário registra (e analisa). A verba sempre foi curta - ele só conseguiu finalizar Cidadão Boilesen após a premiação no É Tudo Verdade. Na Dinamarca, quase conseguiu uma parceria, mas os dinamarqueses impunham certas condições e elas se referiam principalmente ao tom do filme, ao enfoque da direção. Queriam o filme compassivo, indignado, com ênfase nas cordas do cello - pegando carona na metáfora musical, já que o ex-guerrilheiro Carlos Eugênio é hoje músico. Litewski queria incorporar música brejeira, fazer sátira, num estilo mais brechtiano.
É o que faz a diferença em Cidadão Boilesen, e o diretor sabe disso. Litewski e o produtor Pedro Asbeg sabem que estão contribuindo para que uma parte triste da história do Brasil seja resgatada e debatida. O que mostram não é agradável, mas necessário. Na pesquisa, foram reunidos muito mais documentos e depoimentos. Todo esse material precisa agora ser divulgado no site do filme ou em DVD, quando sair.
FONTE: estadao.com.br
FONTE: estadao.com.br
http://youtu.be/cFEkY1b7yHM
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domingo, 6 de janeiro de 2013
NAMASTÊ
Para pensar antes de entrar em cena...
"O divino em mim cumprimenta o divino em você."
"A Divinidade dentro de mim compreende e adora a Divinidade dentro de você."
"Tudo que é melhor e mais superior em mim cumprimenta/saúda tudo que é melhor e mais alto em você"
"Eu honro o Espírito em você que também está em mim."
"Seu espírito e meu espírito são um."
"Eu honro o local em você em que o Universo inteiro reside, eu honro o lugar em você que é de Amor, de Integridade, de Sabedoria e de Paz. Quando você está neste lugar em você, e eu estou neste lugar em mim, nós somos um."
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Retrato Falado do Guerrilheiro
Documentário de Silvio Tendler narra a história do guerrilheiro baiano Carlos Marighella.
Quando questionado sobre quem ele era, Carlos Marighella respondia que era apenas um mulato baiano. Mas o documentário Marighella, Retrato Falado do Guerrilheiro, dirigido por Silvio Tendler, mostra muito mais que um mulato baiano ao traçar um panorama da vida desse homem polêmico e militante comunista, que foi um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar no Brasil.
Com narração do ator Othon Bastos, o documentário é guiado por depoimentos de pessoas que conviveram com Marighella e o ajudaram em suas lutas. A produção é pontuada por imagens de arquivo de fatos históricos e gravações de falas desse que foi um dos principais líderes políticos do Partido Comunista.
Nascido em 5 de dezembro de 1911, em Salvador – BA, Marighella cursou engenharia, mas não concluiu o curso, preferiu se dedicar ao serviço militar. Sua viúva, Clara Charf, o define como poeta, estudioso, rebelde, brincalhão, duro e coerente. Para o advogado Takao Amano, Marighella representa uma síntese de todo processo de luta. "Desde a luta contra o colonialismo, depois os negros, os índios e a classe operária", explica.
O documentário aborda a adesão de Marighella ao Partido Comunista em 1932; a sua prisão e tortura em maio de 1936, devido ao fracasso da insurreição comunista ocorrida em novembro de 1935; a legalidade, por pouco tempo, do Partido Comunista após a queda da ditadura de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo; a eleição de Marighella para deputado constituinte em 1946; e o seu retorno à clandestinidade logo depois que o Partido Comunista foi cassado.
O documentário relembra o choro de Marighella ao saber dos crimes cometidos pelo governo de Josef Stalin, na Rússia, considerado por ele como um exemplo para todos do Partido Comunista. Após a instauração do regime ditatorial no Brasil, em 1964, Marighella é preso, reage e é atingido com um tiro no peito. Sobrevive e, ao ser libertado, denuncia a violência sofrida aos jornais, e escreve o livro Porque Resisti à Prisão, pregando a resistência à ditadura militar.
A produção recorda as lutas de independência ocorridas nos anos 50 e 60, em continentes como a Ásia e a África e em regiões como a América Latina. Além da independência da Argélia e a Revolução Cubana, fatos estes que mais impressionaram Marighella, que viu ali a luta armada como alternativa para conquista do poder. Destaca o movimento operário, que foi severamente reprimido no Brasil em 1964, tornando expressiva a presença de estudantes na segunda metade dos anos 60; e uma reunião de bispos na cidade de Medelin, na Colombia, pela Organizacion Latinoamericana de Solidariedad, em 1968, que discutiram questões da América Latina, como a possível necessidade de uma luta armada contra os regimes autoritários.
O documentário apresenta gravação de uma entrevista concebida por Marighella à Rádio Havana, em Cuba, na qual ele defende a luta armada. Depoimentos contam que, ao retornar de Cuba para o Brasil, Marighella é afastado do Comitê Central do Partido Comunista, o que o leva a preparar uma luta armada por meio de uma organização independente. Resolveu então ir em busca de jovens estudantes e velhos comunistas e criou a Ação Libertadora Nacional – ALM, primeira organização armada após o Golpe de 1964.
Outros fatos, como o treinamento com armas feito pelo Grupo Tático Armado (GTA), responsável por abalos na política; o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, apoiado por Marighella, apesar de acreditar que aquele não seria o momento; e a morte deste guerrilheiro em 4 de novembro de 1969, aos 58 anos de idade, também estão no documentário "Marighella, Retrato Falado do Guerrilheiro". Com trilha sonora do maestro Eduardo Camenietzki e interpretação de Ithamara Koorax, o filme mostra arranjo repaginado para o hino socialista Internacional Comunista, além de poesias feitas por Marighella, musicadas.
Entrevistados: Clara Charf, esposa; Tereza Marighella, irmã; Carlos Eugênio Paz, ouvidor do trabalho; Antonio Flávio Médici, amigo, aposentado; Ana Montenegro, funcionária pública federal; Takao Amano, advogado; Jacob Gorender, historiador e jornalista; Noé Gertel, amigo; Apolônio; Frei Oswaldo Rezende O. P., frade dominicano; Gilberto Luciano Belloque, administrador; Frei Fernando de Brito O. P., frade dominicano; Regis Debray, escritor; Carlos Fayal, cirurgião dentista; Maria Luiza Locatelli Belloque, pedagoga; Ivo Lesbaupin; ex-frei dominicano e sociólogo; Guiomar Silva Lopes, médica; Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, publicitário; Genésio Homem de Oliveira, aposentado; Emiliano José, jornalista e escritor; Rose Nogueira, jornalista.
FONTE: http://blog.lineup.net.br/2012/02/documentario-de-silvio-tendler-narra.html
LINK PARA DOWNLOAD DO DOCUMENTÁRIO:
http://filmespoliticos.blogspot.com.br/2011/11/marighella-retrato-falado-do.html
LEIAM TAMBÉM A ENTREVISTA DE SILVIO TENDLER À REVISTA DE HISTÓRIA:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/entrevista/silvio-tendler
“Eu diria que despontei para a vida lá pelos meus 14 anos, em plena ditadura militar. E, naquela época, era preciso fazer determinadas escolhas”. Ele fez as dele. Tornou-se cinéfilo, presidente do movimento cineclubista e um apaixonado pela história do país.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
"Marighella - O guerrilheiro que incendiou o mundo"
Sobre a biografia "Marighella - O guerrilheiro que incendiou o mundo", escrita por Mário Magalhães, lançada em outubro de 2012. A editora, COMPANHIA DAS LETRAS, postou no YouTube um vídeo por semana, até o lançamento do livro.
(entrem no blog para ver os vídeos)
Muita ação, poucas ideias
PUBLICAÇÃO DA VEJA SOBRE A BIOGRAFIA
NA COLUNA "O PAÍS QUER SABER"
de AUGUSTO NUNES
(27/11/2012)
NA COLUNA "O PAÍS QUER SABER"
de AUGUSTO NUNES
(27/11/2012)
Repórter obstinado, pesquisador competente e escritor talentoso, o jornalista Mário Magalhães dedicou-se nos últimos nove anos ao resgate da história de Carlos Marighella (1911-69), militante comunista na juventude, deputado constituinte com menos de 40 anos e fundador, já cinquentão, da Ação Libertadora Nacional (ALN), a mais conhecida das siglas que afundaram na opção pela luta armada contra a ditadura militar. Magalhães desmontou versões fantasiosas, corrigiu equívocos, resgatou documentos dados por perdidos, escavou episódios desconhecidos ─ e reconstituiu detalhadamente a trajetória do inspirador de Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo (Companhia das Letras; 732 páginas; 45 reais). Ao imprimir um ritmo de thriller à narrativa, o autor tornou possível completar, sem tantas pausas ofegantes, a extensa travessia do que prefere qualificar de reportagem.
Seria uma biografia exemplar se o biógrafo tivesse resistido à tentação de tratar Marighella com brandura. O baiano jovial que fazia versos e gracejava com parceiros de aventuras poderia ter cedido alguns dos numerosos parágrafos que ocupa ao devoto de Stalin que celebrava “a beleza que há em matar com naturalidade”. E a presença do guerrilheiro urbano é tão opressiva que não sobra espaço para a contemplação do terrorista confesso. No Manual do Guerrilheiro Urbano, publicado em 1969, o biografado reserva um capítulo inteiro ao terrorismo, “uma arma que o revolucionário não pode abandonar”. Se essa face escura merecesse a atenção devida, a figura desenhada não pareceria frequentemente inverossímil.
Ainda assim, seguiria sem resposta a única interrogação de bom tamanho que o autor não conseguiu remover: com tantos protagonistas da História do Brasil à espera de um bom biógrafo, por que consumir tantos anos de investigação e tantas centenas de páginas na exumação de um coadjuvante vocacional? O guerrilheiro que incendiou o mundo ─ proeza que nem os admiradores de Che Guevara ousaram reivindicar ─ existiu apenas no título do livro. O que emerge da leitura é um homem de ação com coragem de sobra e juízo de menos, e que só desempenhou o papel de n° 1 na organização clandestina que, de 1967 a 1969, comandou com uma arma na mão e nenhuma ideia sensata na cabeça.
O Marighella militante e depois dirigente do Partido Comunista Brasileiro foi mais um entre tantos cumpridores das ordens do onipresente Luiz Carlos Prestes, todos convencidos de que vale tudo para a implantação da ditadura do proletariado. O Marighella deputado constituinte foi o mais aplicado companheiro de bancada de um Jorge Amado já na antessala da consagração como romancista. O Marighella surpreendido pelo golpe militar de 31 de março de 1964 só virou notícia por ter enfrentado a socos e pontapés os policiais que o prenderam, dois meses depois do mergulho na clandestinidade, no interior de um cinema no Rio. Como não havia testemunhas da luta corporal, a própria notícia foi às redações dos jornais assim que saiu da cadeia. Provou o que dizia com a exibição das marcas da pancadaria.
Mesmo o comandante supremo da ALN teve seus poderes frequentemente confiscados por subordinados hierárquicos. Mário Magalhães descobriu, por exemplo, que Marighella só soube do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick depois de consumada, em parceria com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), a mais espetacular operação promovida por partidários da luta armada. O n° 2 da ALN, Joaquim Câmara Ferreira, endossou e ajudou a executar o plano por estar convencido de que o chefe gostaria da ideia. Errou, revela o livro. Num raro surto de lucidez, Marighella compreendeu que o sequestro de um embaixador dos EUA provocaria retaliações extraordinariamente superiores, em intensidade e violência, ao poder de fogo da minúscula tropa empenhada na perseguição do paraíso socialista.
Capturado em 4 de setembro de 1969, Elbrick foi solto três dias mais tarde em troca da libertação de 15 presos políticos. Em 4 de novembro, Marighella foi fuzilado numa rua de São Paulo por um grupo de policiais chefiado pelo delegado Sérgio Fleury. Até sucumbir à emboscada, ele passara dois anos sonhando na cidade com a guerrilha rural sempre adiada por um assalto a banco, um atentado a bomba ou a execução de um empresário. O guerrilheiro urbano que se imaginava incendiando os campos do Brasil jamais entrou em combate contra tropas regulares do Exército. Só enfrentou a polícia política. Como em todas as batalhas anteriores, perdeu.
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