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sábado, 3 de março de 2012

"O Ator Invisível"

“Posso ensinar a um jovem ator o movimento de apontar a lua, porém entre a ponta de seu dedo e a lua, a responsabilidade é dele”. E ele mesmo completa: – “O mais importante para mim é : será que o público viu a lua?” (Yoshi Oida - "O Ator Invisível")

Para Yoshi Oida o ator deve dar lugar a personagem de modo que o ator se torne “invisível”. Segundo ele, o importante não é notarmos a virtuose do ator em cena. O ideal seria simplesmente embarcarmos na história que é contada em um espetáculo, sem pararmos para analisar: "Puxa, como esse ator é bom!" Deveríamos esquecer que diante de nós existe um ator.

Post: Alex Merino

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O essencial é saber ver

O essencial é saber ver.
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a 
alma vestida!)
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender.
Fernando Pessoa


Segundo Yoshi Oida, os limites estimulam a intensidade, e “o compromisso com um conjunto de regras liberta nossa criação e a faz atingir uma profundidade e um vigor que de outra forma seriam impossíveis” (2001, p.85). “Pode-se dizer que não há liberdade se não se paga o preço do ascetismo”, este entendido como “limitação do eu”, acrescentaria Jerzy Grotowski (BARBA, 1995, p.237).
Neste contexto é importante falar sobre a repetição. Barba ensina que os exercícios de   cada   ator   “são   repetidos   como   as   palavras   de   uma   língua   estrangeira   que   se   deseja aprender,   de   modo   mecânico”   (1995,   p.   245),   para   mais   tarde   serem   absorvidos   e começarem a ter seu próprio desenvolvimento. De fato, a repetição é ato fundamental para que se atinja um estado em que a técnica é incorporada pelo ator, até o ponto em que ele passa a ter total controle sobre as regras criadas, de forma que elas se tornem tão naturais que desapareçam.