Post: Alex Merino
O “Sala de Ensaio” objetiva discutir, refletir e dialogar as experiências prático-teóricas dos membros que compõem a Cia Carne Agonizante em seu processo criativo, através das temáticas, imagens e questões aqui são lançadas e registradas.
domingo, 16 de dezembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
O Rapto de Proserpina
O Rapto de Proserpina é uma escultura de Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), considerado um dos maiores artistas do século XVII, tendo seu trabalho quase todo centrado na cidade de Roma.
O mito romano do rapto de Proserpina por Plutão é uma lenda que também aparece na cultura grega, onde Plutão se chama Hades e Proserpina é Perséfone, que encantou o obscuro deus com sua beleza, filha da deusa das colheitas Deméter. Ela é então raptada e levada para as profundezas da Terra, deixando sua mãe enfurecida. O rapto fez com que Deméter castigasse o mundo, arrasando com as plantações, entregando o mundo ao caos e à fome. Conta-se que Perséfone não podia comer nada que lhe fosse oferecido ou ela nunca mais voltaria para casa. Enquanto Zeus tentava convencer Plutão a liberar a moça, Perséfone comeu algumas sementes de romã, selando o seu destino. Assim, ela se viu obrigada a casar com Plutão, o que deixou Deméter ainda mais furiosa.
Zeus teria então interferido. Perséfone passaria metade do ano com o marido e a outra metade com a mãe. Dessa maneira, Deméter aceitou e assim os gregos explicavam as épocas do ano. Quando era verão e primavera, sua filha estava ao seu lado. No inverno e no outono, épocas frias, sem colheitas, Perséfone estava com o marido.
A obra encontra-se na Galleria Borghese, em Roma.
Post: Alex Merino
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
A ESPERTEZA INÚTIL DE SÍSIFO
A INÚTIL TAREFA DE SÍSIFO
por Anderson Francisco
FONTE: obvious
Uma das grandes heranças que os antigos gregos deixaram para a humanidade foi sem dúvida a riqueza de sua mitologia. Dentre esses mitos, um nos convida a refletir sobre nossa atitude diante da inevitabilidade da morte: o mito de Sísifo.
O suplício de Sísifo - Franz von Stuck (1863/1928)
Conta o mito que Sísifo foi fundador e rei da atual cidade grega de Corinto. Certo dia, Sísifo viu quando Zeus sequestrou a filha de um outro rei grego e denunciou o Senhor do Olimpo ao pai da moça. Zangado, Zeus manda Tânatos (a morte) atrás de Sísifo que, além de conseguir fugir da morte, ainda a aprisiona. A partir daí, ninguém mais morreu e Hades, Senhor do Reino dos mortos, foi queixar-se a Zeus que acabou libertando Tânatos.
A morte, então, conseguiu capturar Sísifo e levou-o ao mundo dos mortos. O que nem Tânatos nem Hades sabiam é que Sísifo havia ordenado a sua esposa que ela não prestasse a ele as homenagens fúnebres de costume. Sísifo não pode, dessa forma, ser recebido na morada dos mortos e propôs a Hades que o deixasse voltar ao convívio dos vivos para resolver o problema e castigar a esposa por tão grande desonra. Resultado: Hades consentiu e Sísifo, mais uma vez, escapuliu. Não é a toa que Sísifo ficou conhecido como o mais esperto entre todos os homens.
E com tanta esperteza, Sísifo viveu até a mais avançada velhice, quando morreu naturalmente. De volta ao reino de Hades, recebeu como castigo a tarefa de rolar uma enorme pedra até o cume de uma montanha; mas sempre que chegava lá a pedra rolava montanha abaixo e ele tinha que recomeçar sua tarefa por toda eternidade.
Hades e Perséfone em seu palácio - © Kathleen Cohen, World Art Database
Assim como Sísifo, muitos são os que tentam fugir da morte tentando os mais diversos caminhos. O problema é que, qualquer que seja o caminho tomado, sempre vai acabar no mesmo lugar: na "curva da estrada", como disse Fernando Pessoa. Nenhuma das artimanhas de Sísifo impediu que, no fim da vida, também ele contornasse essa “curva”. Fugir da morte é inútil, assim como inútil é a tarefa que Sísifo executa empurrando a pedra montanha acima. Eis o sentido do seu castigo: lembrar-lhe – e lembrar-nos também – a inutilidade de sua “esperteza” durante a vida.
Aceitar a inevitabilidade da morte, porém, não é o mesmo que sentar-se e esperar que ela nos venha visitar. O que fazer, então? Uma resposta possível está no que disse o filósofo romano Lúcio Sêneca: “deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer”. A vida é para se aprender a viver, a amar – como disse dom Hélder Câmara, por exemplo – mas também para se aprender a morrer. E é isso que nos falta, aprender a morrer, não no sentido de suicidar-se, mas no de preparar-se para ela. Aprender a caminhar até a “curva da estrada”, sem pressa, sem, todavia, deter-se pelo caminho.
Há um poema do pernambucano Manuel Bandeira que retrata bem o sentimento de quem chegou a esse aprendizado. Diz Bandeira:
Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.
Empenhar-se em fugir da morte é tomar para si a tarefa estéril de Sísifo, empurrando a pedra montanha acima para logo em seguida vê-la rolar montanha abaixo. Não se pode enganar a morte, como pensou Sísifo. Cabe-nos, então, cuidar para que, findado o nosso caminho, ela nos encontre “com cada coisa em seu lugar”, talvez com medo, talvez sorrindo, porém caminhado, no momento em que contornaremos a curva derradeira.
Post: Alex Merino
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