segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Vlado – 30 anos depois

Em memória aos 38 anos de morte de Vladimir Herzog, documentário relembra trajetória do jornalista assassinado pela ditadura

Tarde de  25 de outubro, o jornalista Vladimir Herzog era encontrado morto nas dependências do DOI-CODI paulistano, aparelho repressivo do regime militar, sob a contraditória acusação de suicídio. Assim como Herzog, tantos outros jovens foram assassinados no país, sob a falsa alegação – já que esta era a melhor maneira que a ditadura encontrara para justificar parte dos crimes ocorridos entre 1964 e 1985.

Para relembrar os 38 anos de um dos mais marcantes e lamentáveis episódios dos “Anos de chumbo”, o documentário “Vlado – 30 anos depois” remonta a trajetória do memorável jornalista – desde sua infância na Iugoslávia, fugindo da perseguição nazista, até a militância, envolvimento político e seu trabalho frente à direção de jornalismo da TV Cultura. O filme evidencia, sobretudo, o perfil fascínora do regime, baseado na série de horrores cometidos dentro dos porões da ditadura, silenciando as vozes que lutavam por democracia e liberdade.


https://www.youtube.com/watch?v=pB8XCSwyOeU

FONTE: catracalivre.com.br

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Chê Guevara - Hasta la victoria siempre

"Agora, esta massa anônima, esta América de cor, sombria e taciturna, que canta em todo o continente com a mesma tristeza e desilusão, agora esta massa é a que começa a entrar definitivamente na sua própria história, começa a escrever com seu sangue, começa a sofrer e a morrer. Porque agora pelos campos e as montanhas da América, pelas encostas das suas serras, pelas suas planícies e suas florestas, entre a solidão ou o tráfego das cidades, nas costas dos grandes oceanos e rios, começa a estremecer este mundo cheio de corações, com os punhos quentes de desejo de morrer pelos outros, de conquistar os seus direitos, negados durante quase 500 anos, por uns e por outros. Porque esta grande humanidade disse "basta!" e começou a avançar. E a sua marcha de gigante, já não pode parar até conquistar a verdadeira independência, por aqueles que morreram mais uma vez inutilmente. Agora, de qualquer forma, aqueles que vão morrer, morrerão como os de Cuba, na Playa Giron, morrerão pela sua única, verdadeira e irrenunciável independência."


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Francisca Julia e Philadelpho E. Munster dançam no Cemitério do Araçá



História da "Musa Impassível", que hoje se encontra na Pinacoteca

A escultura foi feita por Victor Brecheret, também responsável pelo Monumento as Bandeiras, que fica em frente ao Parque Ibirapuera. Antes de ir para a Pinacoteca, a Musa adornava o túmulo da poetisa Francisca Júlia, no Cemitério do Araçá (na Dr. Arnaldo), que faleceu no dia 1 de novembro de 1920.


Francisca Júlia da Silva nasceu em 1871 na antiga Vila de Xiririca, hoje município de Eldorado, interior de São Paulo. Ela se mudou aos 8 anos de idade para São Paulo, e já demonstrava um grande talento com as palavras. Aos 14 anos começou a escrever versos para o jornal O Estado de S.Paulo, Correio Paulistano e para o Diário Popular.

Seu primeiro livro, “Mármores”, foi lançado em 1895, com muitos elogios da crítica - e não custa lembrar que era uma época em que as mulheres tinham pouca ou nenhuma voz. Nesse livro se encontra um poema, Musa Impassível, reproduzido aqui embaixo.


Após lançar em 1899 o "Livro da Infância", para rede de escolas públicas de São Paulo, a poetisa se tornou precursora da literatura infantil no Brasil. Em 1909 ela se casou com o telegrafista da Estrada de Ferro Central do Brasil, Filadelfo Edmundo Munster, que foi diagnosticado com tuberculose em 1916 e veio a falecer em 1920.

Poucas horas após o seu falecimento, Francisca Júlia foi encontrada morta no quarto do marido. Apesar de ter sido cogitada a hipótese de suicídio, a história que seguiu era de que a poetisa havia morrido de amor.

Após a sua morte, um grupo de intelectuais liderado pelo senador e mecenas José Freitas Valle, entrou em contato com o Presidente do Estado de São Paulo, Washington Luís, para encomendar uma escultura que estaria à frente do túmulo da poetisa. Com a autorização em mãos, Freitas Valle contactou o jovem escultor brasileiro que estudava em Paris, Victor Brecheret.

"Brecheret realizou o trabalho de 1921 a 1923 em Paris. O resultado não poderia ser melhor. Uma linda escultura envolvida por sensualidade. Olhos fechados que nos remete a querer esquecer a dor da morte. Seios grandes e fartos para afirmar a importância da mulher na sociedade. Dedos e braços longos e delicados simbolizando a força e a superioridade de uma mulher que abriu segmento na literatura feminina. Nascia a Musa Impassível"

A escultura foi instalada em seu túmulo em 1923 e por ali residiu até começarem ser percebidos os danos causados pela urbanização da cidade, principalmente pela chuva ácida. Em 13 de dezembro de 2006, 83 anos depois de sua instalação, a escultura foi retirada com a ajuda de 15 pessoas e um guindaste.


Saindo do mundo dos mortos para o mundo dos vivos, a escultura chega finalmente à Pinacoteca, e no lugar da escultura original, foi colocada uma réplica em bronze.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

"Le Baiser" (1982) - Joel-Peter Witkin



Joel-Peter Witkin (nascido em 13 de setembro, 1939) é um fotógrafo americano fotógrafo que vive em Albuquerque, Novo México. Sua obra, muitas vezes lida com temas como morte, cadáveres (às vezes desmembrado partes dos mesmos) e várias pessoas estranhas, como anões, transexuais, hermafroditas e pessoas deformadas fisicamente. Os quadros de Witkin muitas vezes lembram episódios religiosos ou pinturas clássicas.

Witkin nasceu de um pai judeu e mãe católica romana. Seu irmão gêmeo, Jerome Witkin, e filho, Kersen Witkin, também são pintores. Os pais de Witkin se divorciaram quando ele era jovem, porque eles foram incapazes de superar suas diferenças religiosas. Entre 1961 e 1964 ele era um fotógrafo de guerra e documentava a guerra do Vietnã. Em 1967 se tornou o fotógrafo oficial da Cidade Paredes. Ele participou da Cooper Union, em Nova York, onde estudou escultura, atingindo um grau de Bacharel em Artes em 1974. Depois a Universidade de Columbia concedeu-lhe uma bolsa de estudos. Ele terminou seus estudos na Universidade do Novo México em Albuquerque, onde se tornou mestre de Belas Artes.

Witkin diz que sua visão e sensibilidade brotam de um episódio que testemunhou quando criança, um acidente de automóvel na frente de sua casa em que uma menina foi decapitada.

"Foi o que aconteceu em um domingo, quando minha mãe estava acompanhando o meu irmão gêmeo e descendo comigo os degraus do cortiço onde morávamos. Nós estávamos indo para a igreja. Enquanto caminhava pelo corredor até a entrada do edifício, ouvimos um estrondo incrível misturado com gritos e gritos de socorro. O acidente envolveu três carros, todos com as famílias deles. De alguma forma, no meio da confusão, eu já não estava segurando a mão da minha mãe. No lugar onde eu estava na calçada, eu podia ver algo rolando de um dos carros que capotou. Aquilo parou na calçada onde eu estava. Era a cabeça de uma menina. Abaixei-me para tocar o rosto, para falar com aquilo - mas antes que eu pudesse tocá-lo alguém me levou"

Ele diz que as dificuldades de sua família também influenciaram a sua obra. Seu artista favorito é Giotto.

As obras de Witkin que usam cadáveres tiveram que ser criadas no México, a fim de contornar as leis restritivas dos Estados Unidos. Por causa da transgressão, natureza do conteúdo de suas imagens, as suas obras têm sido rotulados de exploração e, por vezes, chocaram a opinião pública.

Suas técnicas incluem riscar o negativo, branquear ou tonificar a impressão, usando uma técnica de impressão chamada hands-in-the-chemicals. Esta experimentação começou depois de ver um ambrotype do século 19 de uma mulher e seu ex-amante que tinha sido riscado do quadro.

DOCUMENTÁRIO
Em julho de 2011, começaram as filmagens do documentário de longa metragem Joel-Peter Witkin: um olho objetivo. O filme, dirigido por Thomas Marino, lança um olhar profundo e introspectivo na vida e fotografias de Witkin. Junto com todas as novas entrevistas em profundidade com Joel-Peter Witkin, o filme apresenta entrevistas de galeristas, artistas proeminentes, fotógrafos e estudiosos que compartilham visão sobre o impacto do trabalho de Witkin e influência na cultura moderna. As filmagens ocorreram em Albuquerque, Los Angeles, Nova York e Paris. O filme foi lançado em 06 de julho de 2013 para download digital e streaming/rental. O filme fará parte das coleções permanentes na Bibliothèque Nationale de France, em Paris, e a Biblioteca Nacional de Chile, em Santiago.