quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cidadão Boilesen

SÃO PAULO - Há 18 anos - em 1991 -, Chaim Litewski ingressou na ONU, o que o faz hoje viver em Nova York. Em novembro de 2009 ele voltou ao Brasil - e a São Paulo - para participar de um debate sobre seu documentário Cidadão Boilesen, que estreou nos cinemas dia 27 de novembro do mesmo ano. Cidadão Boilesen foi premiado no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, esteve no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Sempre aplaudido pelo público e pela crítica, levanta o véu sobre a Operação Bandeirantes.


http://youtu.be/9TrocKiappo

A Oban, como era chamada, foi um centro de informações, investigações e de torturas montado pelo Exército brasileiro no fim dos anos 1960 para combater organizações de esquerda que confrontavam o regime ditatorial que vigorava desde 1964 no País. O filme deixa claro que era financiada por empresários e banqueiros. O caso de Henning Boilesen, o cidadão Boilesen, é exemplar. Dinamarquês naturalizado brasileiro, ele virou empresário no País. Anticomunista ferrenho, ligou-se a grupos militares e paramilitares. Outros empresários e banqueiros - nomeados no filme - também fizeram isso, mas Boilesen se destacava por uma particularidade fartamente debatida no filme. Sádico, ele tinha um prazer especial em seguir as sessões de tortura, chegando a fornecer carros da empresa Ultragaz, do grupo Ulbra, que presidia, para operações de repressão. Em 1971, foi vítima de uma emboscada e morto por guerrilheiros.

Um dos entrevistados, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, faz uma bela análise sociológica do episódio. Guerrilheiros fazem acusações a Boilesen, mas seus familiares - o filho, em particular - contestam que fosse o monstro sugerido em Cidadão Boilesen. Entretanto, os indícios são muitos e confirmados por outros notórios personagens ligados à Oban, incluindo o célebre Coronel Erasmo Dias. No debate que antecedeu a estreia do filme, Litewski lembrou que foi em 1968 que ouviu pela primeira vez, na televisão, o nome de Boilesen ligado a grupos militares. Após a morte do empresário, ele nunca deixou de pensar no assunto, mas só começou a encarar a possibilidade de realização de um filme a partir do depoimento que colheu do ex-guerrilheiro Carlos Eugênio da Paz. "Só aí foi que eu realmente me conscientizei de que tinha material para uma obra consistente."

Mesmo assim, foram mais de 15 anos de pesquisa, que se concluíram em sua estreia. Litewski elaborou uma lista de 200 possíveis entrevistados. Um terço lhe bateu o telefone na cara, tão logo ele anunciava sua intenção. Outro terço admitia dar depoimento, sem que fosse gravado ou filmado, certamente temendo represálias. O terço final, finalmente, deu a cara e a voz às denúncias formuladas no filme. Elas de alguma forma corrigem a história oficial. Mostram que a famigerada ditadura foi, na verdade, uma aliança civil-militar, incentivada e sustentada por setores de peso na sociedade, e não apenas empresários da Fiesp ou banqueiros da Febraban. Nem a imprensa é poupada. Litewski, que se autodefine como ‘rato de pesquisa’, só cita empresários e organizações que tenham sido mencionados por no mínimo três fontes diferentes.

Formado em comunicação, propaganda e cinema, Chaim Litewski especializou-se em filmar, documentar e discutir conflitos. Ele admite que tem uma relação de fascinação e ódio pela violência. Este documentário, feito ao longo de tanto tempo, o levou até a Dinamarca, em busca das origens de Henning Boilesen. Lá ele ouviu um depoimento muito interessante, que está no filme - o empresário, que teve uma origem humilde, tinha um lado sombrio muito forte na sua personalidade. Criança, teve um prazer tão grande em observar a punição de colegas da escola que o caso foi suficientemente inusitado para merecer a observação de um dos professores, acrescentada à ficha escolar. Na Dinamarca, a própria cultura local talvez lhe impusesse manter essas tendências perversas reprimidas. No Brasil da ditadura civil/militar, em contato com figuras como o sinistro delegado Sérgio Paranhos Fleury, essas tendências não apenas afloraram como foram liberadas.

Litewski conta que, durante muito tempo, somente conseguiu tocar o projeto de Cidadão Boilesen nas horas vagas. Ele trabalhava regularmente, nas suas funções habituais, e às 17 horas, 18 horas ficava liberado para se debruçar sobre os penosos acontecimentos que o documentário registra (e analisa). A verba sempre foi curta - ele só conseguiu finalizar Cidadão Boilesen após a premiação no É Tudo Verdade. Na Dinamarca, quase conseguiu uma parceria, mas os dinamarqueses impunham certas condições e elas se referiam principalmente ao tom do filme, ao enfoque da direção. Queriam o filme compassivo, indignado, com ênfase nas cordas do cello - pegando carona na metáfora musical, já que o ex-guerrilheiro Carlos Eugênio é hoje músico. Litewski queria incorporar música brejeira, fazer sátira, num estilo mais brechtiano.

É o que faz a diferença em Cidadão Boilesen, e o diretor sabe disso. Litewski e o produtor Pedro Asbeg sabem que estão contribuindo para que uma parte triste da história do Brasil seja resgatada e debatida. O que mostram não é agradável, mas necessário. Na pesquisa, foram reunidos muito mais documentos e depoimentos. Todo esse material precisa agora ser divulgado no site do filme ou em DVD, quando sair.

FONTE: estadao.com.br


http://youtu.be/cFEkY1b7yHM

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Quem são os carrascos?


Seria ridículo se alguem pudesse ver, olhar por uma fresta  na parede, ou pelo burrado da janela a imagem que eu me fiz.È exatamente essa a frase: "que eu me fiz", sons confusos, acuada no chão do meu quarto eu tento não gritar, as lagrimas escorrem de meus olhos como vazamento sem controle, não há válvula pra fechar, é tão forte o impulso do descontrole, que meu nariz começa a gotejar um liquido meio viscoso, a respiração fica alta rasgando o silencio da casa vazia, aperto meu rosto, minhas mãos esmagam meus olhos, batem na minha cabeça, tremem diante de meus olhos, não enxergo nada, me vejo em desespero completo, me torturando por não saber o que fazer, eu não sei o que fazer.Tenho tudo e não consigo sair do lugar, sinto como se meu peito estivesse sendo comprimido por um bloco de metal que me achata no chão, a cabeça começa a pedir ar, puxo o ar como numa alavanca de ar comprimido, entra com tudo começo a tossir, não consigo me mexer, abro os dedos das mãos ao máximo, não sei porque, me encolho como um feto, um feto que parece que vai morrer, sem ar, em desespero, que não sabe o que está acontecendo, que só sente um pulsar forte dentro dele e não consegue diminuir,gritos estranhos saem da minha boca, nem sei o que são, parecem riscos com um garfo numa parede ou peça de metal, são fundos, saem rasgando meus próprios ouvidos.Não sei o que fazer, não sei o que fazer, porque nos torturamos tanto?Por que nossa existência se torna tão patética quando não conseguimos aguentar nossas próprias almas?Sinto me golpeada, como se cavalos correndo me esmagassem a ponto de me destroçar. A imobilidade me sufoca.
Não penso em aparelhos de torturas mais geniais que nossa própria consciência, nossa mente, nossas sensações e criações internas. Na "Colonia Penal " de Franz Kafka me vejo como cada um de seus personagens, não somos apenas um de seus personagens, somos todos, incluindo a engrenagem. Somos carrascos de nós mesmo, pelo menos uma vez em nossa vida seremos nossos próprios juizes.E pelo que? Pelo que você se tortura ou se deixa torturar?

domingo, 6 de janeiro de 2013

NAMASTÊ


Para pensar antes de entrar em cena...


"O divino em mim cumprimenta o divino em você."

"A Divinidade dentro de mim compreende e adora a Divinidade dentro de você."

"Tudo que é melhor e mais superior em mim cumprimenta/saúda tudo que é melhor e mais alto em você"

"Eu honro o Espírito em você que também está em mim."

"Seu espírito e meu espírito são um."

"Eu honro o local em você em que o Universo inteiro reside, eu honro o lugar em você que é de Amor, de Integridade, de Sabedoria e de Paz. Quando você está neste lugar em você, e eu estou neste lugar em mim, nós somos um."


sábado, 5 de janeiro de 2013

Mini Manual do Guerrilheiro Urbano"

De autoria do guerrilheiro Carlos Marighella, o livro foi escrito em 1969, para servir de orientação aos movimentos revolucionários e guerrilheiros. Nesta obra, detalhou táticas de guerrilha urbana a serem empregadas nas lutas. Nos anos 80, a CIA – Central Inteligence Agency, dos Estados Unidos, fez traduções em inglês e espanhol para distribuir entre os serviços de inteligência do  mundo inteiro e para servir como material didático na Escola das Américas, por ela mantida, no Panamá.


PARA LER NA INTERNET
http://www.marxists.org/portugues/marighella/1969/manual/index.htm

EM PDF PARA IMPRIMIR
http://brasil.indymedia.org/media/2008/06/422822.pdf

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Retrato Falado do Guerrilheiro

Documentário de Silvio Tendler narra a história do guerrilheiro baiano Carlos Marighella.


Quando questionado sobre quem ele era, Carlos Marighella respondia que era apenas um mulato baiano. Mas o documentário Marighella, Retrato Falado do Guerrilheiro, dirigido por Silvio Tendler, mostra muito mais que um mulato baiano ao traçar um panorama da vida desse homem polêmico e militante comunista, que foi um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar no Brasil. 

Com narração do ator Othon Bastos, o documentário é guiado por depoimentos de pessoas que conviveram com Marighella e o ajudaram em suas lutas. A produção é pontuada por imagens de arquivo de fatos históricos e gravações de falas desse que foi um dos principais líderes políticos do Partido Comunista. 

Nascido em 5 de dezembro de 1911, em Salvador – BA, Marighella cursou engenharia, mas não concluiu o curso, preferiu se dedicar ao serviço militar. Sua viúva, Clara Charf, o define como poeta, estudioso, rebelde, brincalhão, duro e coerente. Para o advogado Takao Amano, Marighella representa uma síntese de todo processo de luta. "Desde a luta contra o colonialismo, depois os negros, os índios e a classe operária", explica. 
  
O documentário aborda a adesão de Marighella ao Partido Comunista em 1932; a sua prisão e tortura em maio de 1936, devido ao fracasso da insurreição comunista ocorrida em novembro de 1935; a legalidade, por pouco tempo, do Partido Comunista após a queda da ditadura de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo; a eleição de Marighella para deputado constituinte em 1946; e o seu retorno à clandestinidade logo depois que o Partido Comunista foi cassado. 
  
O documentário relembra o choro de Marighella ao saber dos crimes cometidos pelo governo de Josef Stalin, na Rússia, considerado por ele como um exemplo para todos do Partido Comunista. Após a instauração do regime ditatorial no Brasil, em 1964, Marighella é preso, reage e é atingido com um tiro no peito.  Sobrevive e, ao ser libertado, denuncia a violência sofrida aos jornais, e escreve o livro Porque Resisti à Prisão, pregando a resistência à ditadura militar. 
  
A produção recorda as lutas de independência ocorridas nos anos 50 e 60, em continentes como a Ásia e a África e em regiões como a América Latina. Além da independência da Argélia e a Revolução Cubana, fatos estes que mais impressionaram Marighella, que viu ali a luta armada como alternativa para conquista do poder. Destaca o movimento operário, que foi severamente reprimido no Brasil em 1964, tornando expressiva a presença de estudantes na segunda metade dos anos 60; e uma reunião de bispos na cidade de Medelin, na Colombia, pela Organizacion  Latinoamericana de Solidariedad, em 1968, que discutiram questões da América Latina, como a possível necessidade de uma luta armada contra os regimes autoritários. 
  
O documentário apresenta gravação de uma entrevista concebida por Marighella à Rádio Havana, em Cuba, na qual ele defende a luta armada. Depoimentos contam que, ao retornar de Cuba para o Brasil, Marighella é afastado do Comitê Central do Partido Comunista, o que o leva a preparar uma luta armada por meio de uma organização independente. Resolveu então ir em busca de jovens estudantes e velhos comunistas e criou a Ação Libertadora Nacional – ALM, primeira organização armada após o Golpe de 1964. 
              
Outros fatos, como o treinamento com armas feito pelo Grupo Tático Armado (GTA), responsável por abalos na política; o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, apoiado por Marighella, apesar de acreditar que aquele não seria o momento; e a morte deste guerrilheiro em 4 de novembro de 1969, aos 58 anos de idade, também estão no documentário "Marighella, Retrato Falado do Guerrilheiro". Com trilha sonora do maestro Eduardo Camenietzki e interpretação de Ithamara Koorax, o filme mostra arranjo repaginado para o hino socialista Internacional Comunista, além de poesias feitas por Marighella, musicadas. 
  
  
Entrevistados: Clara Charf, esposa; Tereza Marighella, irmã; Carlos Eugênio Paz, ouvidor do trabalho; Antonio Flávio Médici, amigo, aposentado; Ana Montenegro, funcionária pública federal; Takao Amano, advogado; Jacob Gorender, historiador e jornalista; Noé Gertel, amigo; Apolônio; Frei Oswaldo Rezende O. P., frade dominicano; Gilberto Luciano Belloque, administrador; Frei Fernando de Brito O. P., frade dominicano; Regis Debray, escritor; Carlos Fayal, cirurgião dentista; Maria Luiza Locatelli Belloque, pedagoga; Ivo Lesbaupin; ex-frei dominicano e sociólogo; Guiomar Silva Lopes, médica; Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, publicitário; Genésio Homem de Oliveira, aposentado; Emiliano José, jornalista e escritor; Rose Nogueira, jornalista. 

FONTE: http://blog.lineup.net.br/2012/02/documentario-de-silvio-tendler-narra.html

http://youtu.be/PL7g1bT0_xg

LINK PARA DOWNLOAD DO DOCUMENTÁRIO:
http://filmespoliticos.blogspot.com.br/2011/11/marighella-retrato-falado-do.html

LEIAM TAMBÉM A ENTREVISTA DE SILVIO TENDLER À REVISTA DE HISTÓRIA:
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/entrevista/silvio-tendler
“Eu diria que despontei para a vida lá pelos meus 14 anos, em plena ditadura militar. E, naquela época, era preciso fazer determinadas escolhas”. Ele fez as dele. Tornou-se cinéfilo, presidente do movimento cineclubista e um apaixonado pela história do país.