sábado, 8 de junho de 2013

Crimes da ditadura: casal Abi-Eçab

Brasil. Crimes da ditadura de 64: Catarina e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.
por R7-Record-Osmar Gomes da Silva
Viernes, 17 de Maio de 2013

O ex-militar Valdemar Martins de Oliveira prestou depoimento na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” para o esclarecimento do assassinato do casal Catarina Abi-Eçab e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.

A audiência pública aconteceu na quinta-feira (16/5) no auditório Tiradentes. O ex-agente é testemunha do assassinato de João Antonio e Catarina, casal de estudantes de filosofia da USP e militantes de esquerda da ALN, ocorrida em maio de 1968.

Valdemar Martins de Oliveira esclareceu fatos sobre João Antonio e Catarina até então falsos como atestado de óbito e morte. Segundo a versão divulgada à época, eles morreram no choque do automóvel que conduziam com explosivos na traseira de um caminhão, na altura do quilômetro 69, da Via Dutra, em Vassouras (RJ).


A EXECUÇÃO

Oliveira revelou como foi execução e apontou o coronel Fred Perdigão Pereira como o autor dos disparos.“Vi ele (Perdigão) atirar. Os dois estavam desacordados, já não reagiam. Ele disse que os dois não serviam mais para nada. Abaixou-se e deu um tiro na cabeça de cada um”, contou o ex-militar cujo depoimento tem o peso de testemunha ocular.

Integrante da equipe do coronel Perdigão, Oliveira havia participado da prisão do casal, numa residência em Vila Isabel, no Rio, e depois acompanhou a equipe de agentes até o local do assassinato, um sítio em São João do Meriti, provável centro de torturas e execução que, segundo ele, pertencia a um coronel do Exército. Os assassinos: Perdigão, um policial civil chamado Miro e o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que 13 anos depois morreria no frustrado atentado a bomba no Riocentro. Morto em 1997, Perdigão teria feito os disparos à queima roupa, com um Colt 45, depois de várias sessões de tortura.

O casal Abi-Eçab era procurado como integrantes do comando da ALN e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que um mês antes, em São Paulo haviam justiçado  o sinistro  Capitão Charles Chandler, agente da CIA e encarregado do treinamento aos verdugos da repressão. informações sobre o funcionamento dos aparatos de repressão política. 

Nome: Catarina Helena Abi-Eçab 
(Assassinada em 08 de novembro de 1968)
Data de nascimento: 29/01/1947
Local de nascimento: São Paulo - SP - Brasil
Organização Política: Ação Libertadora Nacional (ALN). 

Nome: João Antônio Santos Abi-Eçab 
(Assassinado em 08 de novembro de 1968)
Data de nascimento: 04 /06/ 1943
Local de nascimento: São Paulo - SP - Brasil
Organização Política: Ação Libertadora Nacional (ALN)


Todas as atividades realizadas na Assembleia Legislativa de São Paulo têm transmissão ao vivo pela internet. Acesse o link www.al.sp.gov.br/a-assembleia/tv-web* e escolha no box o Auditório onde ela está sendo realizada.*Atenção - é necessário utilizar o navegador Internet Explorer

COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO “RUBENS PAIVA”
55 11 3886-6227 / 3886-6228 – e-mail: comissaodaverdadesp@al.sp.gov.br
twitter.com/CEVerdad

Valdemar Martins de Oliveira, soldado paraquedista-1º lugar da turma do Batalhão de Paraquedistas do Exercito Brasileiro decide se afastar. Não aceita continuar participar do serviço sujo da tortura e assassinatos nos aparelhos de repressão da ditadura militar. Prevendo ser eliminado por saber nomes e “modus operandi” dos facínoras, desertou e fugiu.

Por muitos anos, Valdemar afirma  que tem procurado no Exercito Brasileiro por Reparação e Passar para a Reserva como soldado, o que até hoje tem sido negado. Neste vídeo reportagem ele revela da mesma forma que no depoimento na COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO “RUBENS PAIVA” fatos sobre a morte dos companheiros Catarina Abi-Eçab e João Antônio dos Santos Abi-Eçab.


LINK DO VÍDEO: http://r7.com/XHE3


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Eu Em Ti - Jung



































O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambos estão transformados.
Carl Jung

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Impressões - Eu Em Ti em Bauru, SP

Pra poder continuar contigo
(por Laís Semis)



O cenário é um palco cercado por velas. Uma a uma elas são acesas pelo casal que surge nessa apresentação inspirada na obra de Ismael Nery, Eu em Ti. Quem interpreta é a Cia. Borelli de Dança, que carrega consigo 14 anos de experiência. É estabelecendo contato lentamente e em silêncio que se encontra o casal de bailarinos até entrar o instrumental dramático e a dança começar a ganhar forma.

Os corpos, sincronizados, ligados pela alma se completam e buscam se unir sempre  que se separam. Eles são leves, gravitando pelo poder do sentimento, tentando se reerguer e se encontrar, se dando suporte para executar seus corpos, dramas, dores, vontades e danças num balé de uma só alma. E que mesmo seguindo seus caminhos separados em quase uma hora de apresentação, acabam se encontrando e não resistindo a retomar o contato.

Se encaram pela primeira vez de verdade e se beijam. Um ponto de giro na música, que, mais suave, os leva de volta ao início. Os faz corpos-gangorra, faz a simetria dos ângulos corporais e se deixar guiar pela confiança no outro, tirar os pés do chão. E, num momento final, eles se afastam. Caminham lado a lado na inevitável separação do tempo e do espaço.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Documentário | Brasil: Relatório sobre a tortura


Documentário sobre a tortura no Brasil. Um relatório produzido para o mercado internacional, com declarações dos homens e mulheres que foram torturados no Brasil.

Você Também Pode Dar um Presunto Legal


O autor
Sérgio Muniz

Entre 1971 e 1973, ele reuniu materiais para um libelo que denunciasse o Esquadrão da Morte como um ensaio para os horrores da ditadura militar.

No roteiro escrito com Francisco Ramalho Jr., cabia um pouco de tudo: notícias de jornal, fotos de execução, transcrição de depoimentos sobre tortura, cenas de peças teatrais descontextualizadas, canções mensageiras, atores nos papéis do delegado Sérgio Fleury (chefe da famigerada Scuderie LeCocq) e do procurador Hélio Bicudo, afastado da investigação. Cenas da condecoração de Fleury pela Marinha, não divulgadas na época, foram obtidas clandestinamente de uma TV pelos bons ofícios de Vladimir Herzog. Enfim, uma peça de resistência política com ingredientes documentais e típico sabor da época. No título, uma piscadela irônica para o espectador: Você Também Pode Dar um Presunto Legal.

Amigos do diretor o aconselharam a não fazer exibições públicas na época, temerosos de que o título fosse sumariamente aplicado a ele. Mais de 30 anos depois, a partir de uma cópia VHS, Muniz aplicou efeitos digitais de legibilidade e recolocou, discretamente, o filme em circulação.