quarta-feira, 30 de março de 2011

O Crepúsculo da Beleza

Vê-se no espelho; e vê, pela janela,
A dolorosa angústia vespertina:
Pálido, morre o sol… Mas, ai! termina
Outra tarde mais triste, dentro dela;
Outra queda mais funda lhe revela
O aço feroz, e o horror de outra ruína:
Rouba-lhe a idade, pérfida e assassina,
Mais do que a vida, o orgulho de ser bela!
Fios de prata… Rugas… O desgosto
Enche-a de sombras, como a sufocá-la
Numa noite que aí vem… E no seu rosto
Uma lágrima trêmula resvala,
Trêmula, a cintilar, – como, ao sol-posto,
Uma primeira estrela em céu de opala…
 Olavo Bilac

domingo, 27 de março de 2011

Seja o mais leve inseto...

V
 
Seja o mais leve inseto, a laje mais pesada, 
Tudo se decompõe na efêmera jornada. 
Não há bronze que ature os arrastos tiranos 
Da cheia assoladora e indomável dos anos; 
Só o espírito ascende, escapa às tempestades, 
Não rola na ladeira eterna das idades.


O sol que resplandece, a estrela que cintila, 
Tudo se transfigura em mentirosa argila, 
Nada é perpétuo, nada, embora nos conforte 
A vida a ressurgir dos escombros da morte, 
Para voltar de novo aos trágicos momentos, 
Ao silêncio voraz dos apodrecimentos.


Seca uma folha idosa, outra folha rebenta,
E torna, cedo ou tarde, à poeira que a sustenta.
Morre uma flor galante, outra flor engraçada
Vinga, e a ceifa devora a planta engrinaldada;
Sazona um fruto ameno, outro fruto aparece
Verde, e, se o poupa o  campônio, algum  dia apodrece...


É a morte soberana, o lodo nivelando, 
O tempo demolindo, e o tempo edificando. 
Falemos do painel das tintas desbotadas... 
Quantos vestígios mil de coisas acabadas!
Ferreira Itajubá
(...) Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos. É disso que se trata, afinal, e é o que essas pistas nos ajudam a procurar, dentro de nós mesmos. CAMPBELL

Segundo ensaio aberto...

quarta-feira, 23 de março de 2011

antes da queda...

...Pode ser – o artista espera – que sua obra se anime para os outros e testemunhe a construção de 
uma linguagem dentro de outra, o ultrapassamento do campo disponível pela 
instauração de um novo sentido. Pode ser que isso ocorra agora, daqui a pouco, 
daqui a alguns anos, ou não ocorra; como saber deste tempo de ressonância do poético, do artístico?
“a espiral é um vácuo, ela representa alguma coisa, o vazio ansiedade, o vazio da ansiedade (...) a espiral é uma tentativa de controlar o caos. Ela tem duas direções. Onde você se coloca: na periferia ou no vórtice? A começar pelo exterior está o medo de perder controle, a torção para dentro é uma
constrição, um isolamento, uma compactação ao ponto de desaparecimento. A
começar pelo centro, está a afirmação, o movimento centrífugo é a representação do abandono do controle, da confiança, da energia positiva, da vida em
si mesma”Apud Christine Meyer-hoss